quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Búfalos, homens e outros bichos


Dizem que em uma manada de búfalos quando um predador aparece, a manada corre o máximo que pode para que os mais velhos, os feridos e todos os que são de alguma maneira fracos fiquem para trás.

Já ouvi falar de outros bichos que se fecham em um círculo expondo a carcaça rija, colocam seus fracos no centro e os protegem, por vezes com a própria vida.

A manada de búfalos cresce cada vez mais forte...

A desses outros bichos perde cada vez mais seus fortes...

E nós? Esse bicho raro, humano, que tipo de bicho somos? Nem com o outro, mas com nós mesmos? A gente arrisca? Respira fundo e aguenta porrada pelo que acredita? A gente foge? E deixa ficar no caminho os sonhos e convicções de uma vida?

Aprendi, da forma difícil, que se pode furar um dedo e ele voltar a ser funcional, exatamente como era antes. Mas não se pode furar um olho sem perder a visão...

Algumas dores calcificam nossos ossos e os tornam inquebráveis. Outras, nos deixam amputados e a doce Pandora nos permite acreditar em redenção...

A tanto tempo vago cega a chorar sangue que acreditei piamente ter aprendido a enxergar. Hoje me perguntaram a cor da rosa na palma da minha mão... Rosa?

Hoje, entendi que algumas coisas mudam, com outras a gente simplesmente se acostuma.

Morena - set/10

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Diplomacia x Sinceridade



Acho que de uns meses pra cá desaprendi tudo o que passei a vida toda preocupada... Mais no que diz respeito ao famoso ditado "a corda SEMPRE arrebenta para o lado mais fraco" Mas e aí? Ser diplomata ou sincero?

A muitos anos trabalho em uma escola que se sustenta pelo empenho dos professores, eu inclusa. Já vi muita coisa errada acontecer ali... muita mesmo! Mas a gente faz o que pode, fica calado, tenta fazer o filme e vai vivendo porque gosta dos alunos e do ambiente. Reclama do que pode reclamar mas sem botar a boca no trombone e dizer o que pensa, trabalhamos a velha e boa diplomacia em prol da boa convivência.

Desde que eu me lembro que existo estudo em outra escola, muito renomada e com excelentes professores... Só que eu era muito criança para entender tudo isso e para levar em consideração. Pois bem, reprovei um monte e troquei de instrumento tantas vezes que mal cabem nos dedos. A dois anos e meio cresolvi mudar e encarar que o que eu realmente quero é aprender. Deixei de ser uma aluna que toma a vaga dos outros e passei a merecer a minha própria vaga.

Só que esse ano tudo mudou de figura...

Enchi o saco da péssima administração da escola que trabalhava, tentei conversar, tentei mudar, tentei entender e cansei quando resolveram um problema que não tinha nada a ver comigo colocando a culpa em mim. Depois de tantao trabalho? Não dá! Em outras épocas ficaria triste e poderia até chorar, mas dessa vez resolvi sair fora e levei comigo quem quis vir! Fiz da meneira que achei certo e por isso recebi ameaças de empatar minha entrada em outras escolas, além de ter sido enviado um email a todos os meus colegas de trabalho sobre "a minha forma de trabalhar". De novo: em outros tempos eu teria ficado triste e teria até chorado. Dessa vez mandei um email pra todo mundo contando os motivos que me fizeram sair, coisas que só quem lutou e acreditou na escola saberia.

Na outra escola tem uma professora que me inferniza. Porque ela jura que está no ídolos e que pode acabar com a auto estima dos alunos. Bom, eu fui no ídolos e nem lá eles me trataram da maneira como ela me tratou. Fiquei meses sem conseguir cantar, e até hoje sofro consequências da insegurança que se originaram por causa dela. Em outras épocas eu chorei. Muito. Esse ano resolvi encarar. Bom, de novo a corda arrebentou do lado mais fraco e acabei de descobrir que perdi a vaga da escola. Mesmo com mil atestados e comprovantes de viagem o diretor achou que eu não deveria trancar e como não consegui marcar aula no início do semestre, a vaga rodou.

Cheguei em casa triste, pensando em como algumas pessoas ficam felizes em infernizar a vida dos outros ou em como simplesmente falta compreensão, vontade de ver o lado do outro. E eu não dou conta de diplomacia... meias verdades, o sorriso falso e a convivência empurrada com a barriga. Acredito que quem pergunta quer saber e que as pessoas tem o direito de falar a verdade mas que tem que aguentar ouvir a verdade também! Sem por isso usarem de influência pra encher de pedras o caminho de alguém...

Vim no carro pensando que talvez devesse mesmo falar só o que deve ser dito para não me ferrar. Mas depois penso que existem outras escolas no mundo para se trabalhar e estudar e talvez eu já tenha excedido a quota nessas duas... Ou ainda, na lei de Moisés posso processar uma por difamação e fazer prova pra voltar pra outra, me formo, saio cantando em tudo que é canto e ainda faço uma dedicação sínica sobre como ela me ajudou a perceber que eu não preciso do aval dela pra fazer sucesso!

Mas e no final? Diplomacia resolve alguma coisa pro lado de cá da corda, ou só faz a gente acreditar nisso?

Morena - set/10

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tempo?


21:00:00h. Estou um pouquinho atrasada, mas chegando.
21:05:05h. Ele liga em casa para desistir, mas eu já saí.
21:12:16h. Chamo no interfone mas ele ainda não está pronto, tenho outro amigo no carro então resolvo esperar no estacionamento mesmo.
21:25:55h. Ele aparece estiloso, os óculos fiéis, sempre responsáveis pelo charminho nerd, contrastam com a jaqueta de couro preta. Tenho vontade de fazer um comentário, mas por alguma razão me calo...
21:42:43h. Chegamos na festa. Eu, sempre meio serelepe saio falando com todo mundo, cumprimentando, abraçando, rindo, conversando, dançando...
22:00:45h. Passo por uma mesa com alguém que já não vejo a tempos, ele me chama para puxar uma cadeira e sentar junto. Agradeço o convite mas ainda estou "reconhecendo o ambiente".
22:06:34h. Sou apresentada para um cara que me abraça e me beija, me diz que sou linda e termina com: "Você vota?" huahuaha
22:21:45h. Começo a dançar com meu amigo e percebo que a muito não sei onde ele está.
22:30:23h. Vou deixar a bolsa no carro.
22:32:00h. Volto e vejo ele parado perto de onde eu estava. Ele está conversando, mas vira e sorri para mim. Por algum motivo esse sorriso mexe comigo e tenho vontade de dançar com ele.
22:32:10h. "Eu não sei dançar!" "Não precisa saber, só precisa dançar!"
22:33:15h. Ele me diz que a pista de dança não é ali e me leva para outro lugar.
22:35:02h. Eu reparo no cheiro dele pela primeira vez. Gosto.
22:35:20h. Estou me divertindo rodando ele, vendo o rostinho sem graça de não saber o que vai acontecer enquanto rola um Fala Mansa apressado. Gostaria de lembrar a música...
22:38:20h. A música acaba no meio, eu agradeço com um comprimento e ele reclama sem soltar minha mão... Eu gosto.
22:38:25h. Ele insinua que a próxima música é sertaneja. "Não dá pra dançar sertanejo" "Dá pra dançar qualquer coisa!"
22:38:34h. Voltamos a dançar.
22:39:00h. Eu reparo nele segurando a minha cintura, não o meio das minhas costas como o apropriado. Por um instante me sinto arrepiar de leve.
22:39:03h. Lembro que ele "não sabe dançar", pode não ter sido intencional.
22:39:04h. Páro de escutar o que ele diz, se é que dizia alguma coisa... Meus pensamentos estão voltados para a sua timidez em me segurar e para a minha pele que esquenta embaixo da sua mão direita.
22:45:10h. A música acaba e eu agradeço, mas só consigo pensar no quanto queria chegar mais perto, sentir os passos dele acompanhar os meus... Mas tudo está bem misturado na cabeça.
22:45:12h. Ele pergunta que música é aquela.
22:45:13h. Eu penso que o dj é péssimo e começo a sair do salão.
22:45:14h. Eu percebo que ele ainda está segurando minha mão. Penso que quer dançar mais. Penso que eu quero dançar mais.
22:45:15h. Ele solta minha mão.
22:45:16h. Droga de dj!!!!
22:45:35h. A gente vai pegar alguma coisa para comer e começa a conversar.
22:50:01h. Sentamos na mesa e eu não consigo escutar o que ele fala... Ainda sinto a minha cintura quente e acho engraçado.
22:55:04h. Uma amiga vem se despedir e me conta que meu amigo ficou sozinho. Peço a ela para encaminhá-lo para minha mesa.
22:56:49h. Penso que já deve ser tarde, é melhor ir para meu amigo não perder o ônibus.
22:56:50h. Olho para ele de novo e ele sorri.
22:56:55h. well, dane-se! Eu levo meu amigo em casa depois...
22:59:57h. Meu amigo senta na mesa com a gente mas não participa da conversa.
23:02:59h. Começa a me incomodar o fato do meu amigo estar mexendo no celular. Será que está fingindo que está ocupado porque se sente excluído ou realmente está ocupado?
23:04:26h. Eu não aguento e peço para meu amigo sentar do meu lado. Meu amigo me mostra o celular com cara de "estou ocupado".
23:04:27h. Eu relaxo.
23:04:30h. Reparo que a algum tempo não sei do que ele está falando, mas ele é esperto, e não quero que ele ache que eu estou entediada, então vez por outra me esforço para me concentrar e comento sobre a última frase.
23:10:00h. Meu amigo começa a participar da conversa.
23:10:01h. Eu me sinto bem mais aliviada. Agora posso observar sem medo de constranger! =)
23:15h:03h. Descubro porque eu acho que ele tem cara de bobo. É o jeitinho que ele ri. Por dentro rio sozinha lembrando o quanto eu adoro uma carinha de bobo, aquela impressão de inocência sabe? Aquela inocência saudável?
23:16:05h. Resolvo voltar para a conversa com mais afinco só para provocar aquele sorriso lindo, bobo!
23:40:05h. Um outro amigo chega. Me abraça, me beija e me conta as novidades. Levanto para falar com ele.
23:46:07h. Começo a querer colocar o novo amigo na conversa.
23:46:08h. Reparo porque: já estou com saudades...
23:46:09h. Me sinto ridícula.
23:48:02h. O novo amigo resolve cumprimentar o resto da mesa.
23:53:47h. O novo amigo vai embora.
00:03:32h. Eu penso que já deve ser tarde, lembro que ele disse que não queria ficar muito tempo e olho em volta. Já não vejo quase ninguém...
00:03:46h. Olho para ele de novo e some aquele início de vontade de ir embora.
00:03:53h. Rio de mim mesma e de toda a situação.
00:04:03h. Observo ele sorrir...
00:04:06h. Será possível? Que meu coração ainda despedaçado no chão da sala, o mesmo que ainda não tive ânimo para consertar, será possível que ainda assim possa funcionar?
00:05:00h. Concluo que ainda é cedo pra dizer.
00:23:07h. Ele levanta, fala qualquer coisa e sai.
00:26:30h. Olho em volta para saber onde ele foi.
00:26:58h. Encontro ele conversando com alguém.
00:28:02h. Fico entediada, me bate o sono e eu quero ir embora.
00:30:45h. Ele volta pra mesa.
00:30:47h. Eu repenso sobre ir embora...
00:31:01h. Ele avisa da hora e chama para ir embora.
00:31:02h. Eu fico sem graça, eu que devia chamar para ir embora não? Eu estou dirigindo... Odeio ficar "sem noção".
00:31:10h. Ele tenta voltar atrás, dizer que está bem, que era só para chamar a atenção...
00:31:14h. Eu interrompo e digo que estou mesmo com sono.
00:32:34h. Começamos a nos despedir do pessoal.
00:37:05h. Já na porta aquele mesmo amigo de antes volta a me encher de elogios.
00:37:10h. Adoro que os elogios estejam sendo feitos na frente dele e lembro do ex que gosta de queimar meu filme na frente dele...
00:37:15h. Começo a lembrar da minha teoria de que o ex faz isso pra "marcar território". Que nem cachorrinho que sai mijando em tudo que é árvore. Não vai voltar em nenhuma, mas está lá marcado o espaço dele!
00:38:27h. Começo a ficar sem graça pelos elogios que ainda estão rolando.
00:39:03h. Começo a pensar se não vão surgir o efeito contrário: ele pensar que o outro está afim de mim...
00:39:04h. Droga!
00:42:45h. Entramos no carro. Estou meio cansada, não participo muito da conversa...
01:12:32h. Chegamos na casa do meu amigo.
01:13:24h. Ele passa para o banco da frente.
01:13:57h. Eu fico feliz.
01:13:59h. Eu me acho engraçada...
01:30:45h. Eu tenho a brilhante ideia de andar mais devagar...
02:06:34h. Chegamos na casa dele.
02:06:35h. Ele me pede para estacionar e subir com ele para pegar um presente que a mãe dele deixou para mim.
02:07:32h. Ele segura a porta do elevador... hihihi
02:09:33h. Entramos na casa dele.
02:09:35h. Ele deixa a porta aberta.
02:09:36h. Não pretendo demorar, mas fico triste assim mesmo.
02:13:06h. Ele fecha a porta... =)
02:16:04h. Ele diz que vai descer comigo para me ajudar a carregar um tapete pequeno e uma lata de refri.
02:16:05h. Acho ele um fofo! huahua
02:20:32h. Eu abro a porta do carro.
02:20:35h. Eu dou um abraço de despedida nele.
02:20:36h. Eu sinto o cheiro dele de novo...
02:20:37h. Eu tenho que soltar?
02:21:02h. Ele vai avisar o porteiro para abrir a cancela.
02:21:04h. Eu agradeço a noite enquanto ele caminha.
02:21:05h. Ainda agradecendo tenho esperança dele parar de caminhar e voltar para o carro...
02:21:06h. Por que ele faria isso???
02:21:07h. Rio de mim mesma enquanto entro no carro e fecho a porta.
02:29:46h. Chego em casa.
02:30:04h. Ligo o computador e já me esqueço, ou nem acredito, em todas as pequenas coisas que senti e pensei hoje.
02:34:46h. Escrevo essa história...

Morena - jul/10

sábado, 10 de julho de 2010

Ah! Meu Samba...

- Então, o que você canta de romântica?

Pausa... longa! - Como assim?

- Música romântica! O que você canta de música romântica?

Nova pausa... quase desesperada de tão longa... - Sem ser samba?

- É porque você já colocou um monte de samba canção né?! A gente precisa de música romântica mesmo!

E eu páro até meio apavorada. Ok, sem ser os forrós que ele me deu pra aprender nem os sambas que guardo no coração, o que mais eu sei cantar??? Frito por alguns instantes até ele perceber minha agonia e tentar me ajudar:

- Roberto Carlos! O que você canta de Roberto Carlos?

Mais uma pausa... - Eu até conheço bastante coisa mas não sei exatamente o que eu consigo segurar. Vou dar uma pesquisada essa semana e te respondo.

Daí ele fica preocupado e com uma cara de desistência rebate:

- Tá bom! Chico Buarque! Eu também tenho que aprender a tocar o que você sabe cantar né?! O que você sabe do Chico?

Ah! Do Chico tem muita coisa né?! Afinal ele é o cara! - penso em quase voz alta. E mando uma que está na ponta da língua.

- Essa é boa! Outra!

Pausa... Não, isso não está acontecendo, ele pediu Chico! Que mais eu sei dele? Folheio o caderninho impaciente mas só encontro sambas e mais sambas e mais chorinhos. Sorrio amarelo e lembro que ainda nem fiz dois anos de samba! E eu cantava antes disso... Não cantava? Claro que cantava! Estamos em 2010 e eu canto desde 2002, o samba só apareceu em novembro de 2008! Até respiro aliviada... Então, o que eu cantava antes do samba?

"Onde foi que vivi se nem me lembro se existi antes de você?"

Ah! Meu samba...

Morena - jul/10

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Política, politicagem e afins...


Acordo cedo e vou trabalhar, é incrível como no final do semestre o corpo da gente pesa mais na hora de levantar...

É uma manhã bonita. O sol resolve acordar junto comigo, diferente das outras manhãs da semana, e os passarinhos até cantam mais alto na minha janela.

Chego na escola e encontro meus aluninhos queridos, super empolgados com o pequeno show de talentos que prepararam durante a semana. E, a animação é tanta que até recebo uma mãe com máquina fotográfica e tudo mais...

Tudo está correndo muito bem quando percebo meu celular vibrar no bolso insistente, entre uma aula e outra espio o visor e vejo: 3 chamadas não atendidas. Bom, não reconheço o número e, de qualquer maneira não posso retornar agora.

Quando a aula acaba, saio correndo para um ensaio, mas claro, sou interrompida por coordenadoras e secretárias precisando de alguma coisa, além de pais de alunos querendo algum retorno sobre o rendimento dos meninos. Saio rindo e pensando que meu almoço já era.

Chego no ensaio, temos pouco menos de 30 min para definir o repertório e as formas de execução. Mesmo assim estou animada para a noite, afinal fui muito bem recebida da última vez que cantei para aquele público. E, apesar de sempre me incomodar um bocado estar no meio de políticos e garotas bonitas que desfilam com eles, tento lembrar que antes de tudo são pessoas, e é por isso que eu faço o que faço: adoro gente. Fora que a anfitriã é uma pessoa muito querida, mãe de uma amiga muito querida, tanto que combinei um cachê que "mal paga o cafezinho".

O aluno do sanfoneiro chega e ele não tem tempo de almoçar propiamente. Combino de pega-lo às 18:30h.

Vou para casa correndo gravar o cd que ele me passou, ver se como alguma coisa, colocar as músicas no papel, relembrar alguns trechos de letras e faço uma coisa que não custumo fazer: ligo para confirmar. Porque sou diferente... eu acho... pra mim se tá falado, tá falado! Se alguma coisa acontecer a gente entra em contato mas caso contrário já está confirmado quando eu digo que vou. Mesmo assim, tenho vontade de ligar, quem sabe não foi ela quem me ligou de manhã? Hum... não atende... bom, nem tenho crédito para ficar retornando todas as ligações de números estranhos. Se for importante tenta ligar de novo!

Ajeito tudo e quando penso que vou ter um minuto para descansar o telefone toca. É um percussionista querendo me dizer que o meu percussionista está doente, que ele vai fazer o trabalho se eu quiser, mas vai tocar com a orquestra até 20:45h. E o meu evento começa as 20h. Desligo o telefone e frito pensando em ligar para um terceiro, mas não posso, assim tão em cima da hora? Confirmei o evento no dia anterior e já era muito em cima pra chamar alguém. Retorno a ligação e peço "voa pra lá!"

Me arrumo correndo e chego atrasada pra pegar o sanfoneiro, tadinho! Ele nem tem tempo de dar uma descansada das aulas (62 anos eventualmente começam a pesar né?!) porque a gente tem que separar mais algumas músicas pra fazer piano e voz enquanto o percussionista não chega.

Saímos correndo e ele, com fome, já me fala do jantar que vai ter no local do evento. Até nos esforçamos pra chegar mais cedo porque ele quer comer antes de tocar. Chegamos em cima da hora e quando chegamos uma surpresa: não se pode mais tocar em eventos políticos. A assessora tenta me explicar que me ligou "o dia todo", que no final é melhor assim porque quem tem dinheiro pra levar Zezé de Camargo ganha a eleição etc, etc.

É aí que me lembro que ainda não estou na rua panfletando a favor do voto nulo com dinheiro do meu bolso (porque se 50% mais um voto forem nulos, uma nova eleição é convocada com novos candidatos.), por causa dela! E nem fui atrás de verificar a veracidade dessa informação porque ela me ajudou antes de pensar em se eleger. Me ajudou de graça... E desde então comecei a tentar dar uma nova chance a política dentro de mim mesma, pensando que existem candidatos bons e tal. Na verdade é exatamente isso que digo para a presidente do movimento jovem do partido quando ela começa a falar dos encontros, dos sarais e já vai me dando uma preguiça... "Não entendo nada de política, e pra falar a verdade, nem gosto. Não me meto com partidos nem com campanhas. Eu gosto e entendo de pessoas e é com isso que eu me meto." Daí falo pra ela da anfitriã e do dançarino que me contratou da última vez. É disso que eu entendo, de verdade! E de repente já me acalmo um pouco da frustração que eu estava né?! 62 anos... E fiz ele carregar a sanfona da Ceilândia desde 8h da manhã nem por um cachê, mas por uma amizade. Ele é bonzinho, sei que não vai brigar comigo, e isso me consome ainda mais. Mesmo assim, do jeitinho dele me chama a atenção por não ter confirmado.

Lembro do meu projeto, barato, prático: literatura itinerante nas satélites, no meio da rua pra quem não tem voz. Penso que agora na época de eleição é hora de conseguir as verbas né?! Porque eu tenho um projeto, eles precisam aparecer então junta a fome com a vontade de comer e... Ouço que o projeto não deve sair por agora porque "todo dinheiro pra campanha é pouco". Como assim? Depois, parada no sinal fechado, entendo: cartazes, faixas, panfletos e um candidato na minha porta me entregando adesivos...

É assim que gasta dinheiro de campanha? É, não entendo mesmo de política! Porque eu COM CERTEZA não vou votar no cara do sinal, mas se estivesse passando na rua e visse um palhaço recitando um poema e um menino escrevendo um texto anotaria o nome escrito no bloco de papel para votar no cara! E, panfleto por panfleto todo mundo distribui e só deixa a cidade suja... Mas que tal pagar o meu cachê, me dar bloco de papel e lápis com sua logo? Colocar seu nome nas costas da minha camiseta na parte que diz "patrocínio"... eu uso! E acabo fazendo campanha pra você, não porque você me ofereceu um cargo, mas porque acreditou em mim, e nas pessoas contempladas pelo meu projeto. É disso que o povo precisa.

Fui levar meu sanfoneiro na rodoviária para ele poder pegar o transatlântico, os dois aviões, o metrô e o ônibus antes de chegar em casa, afinal, a carona dele foi embora a pouco mais de duas horas atrás... Engato a primeira e penso em fazer uma faixa bem grande:

Porque quem fala muito, não diz nada; mas quem faz muito, diz tudo!

Morena - jul/10

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ponto de Vista

Tiago tem 7 ou 8 anos de idade e um problema sério de concentração e aprendizado. Enquanto a turma termina a prova em 1 hora, ele leva em torno de 3.

Pedro é outro menino, de mesma idade, que acabou de mudar de colégio. No primeiro dia de aula, ele apareceu com os pais e avós que conversaram demoradamente com a professora sobre o comportamento dele. Na saída a avó invocou proteção divina para a professora e, com menos de 30 min na sala, o menino já quebrou todos os récords de indisciplina.

André é um terceiro menino, um pouco mais novo, que é completamente desobediente. Não fica sentado nem quieto na hora da explicação. Fala sem pedir permissão e está sempre com um brinquedo na mão.

Esses são três dos meus alunos pequeninos... Só que o que ninguém sabe é que

Tiago é um menino muito doce. Ele sabe ouvir na hora de ouvir e é extremamente interessado. Mesmo sendo bem menorzinho que os outros, ele não tem dificuldade em se enturmar, a sala toda adora ele e, a minha parte favorita: ele compõe. Me mostrou uma canção que fez ao piano com um ritmo e melodia que ele mesmo inventou. A mãozinha mal comportava as distâncias das notas mas a marcação era precisa e a canção uma gracinha.

Pedro tem uma capacidade incrível de rimar. É como se as palavras fossem brotando em sua cabecinha enquanto a gente fala. Ele é o primeiro a entender a explicação, além de ser um menino animado e pronto para as atividades.

André não consegue ver ninguém triste sem se sentar ao lado. E, mesmo que nessa idade meninos e meninas se odeiem, pra ele não importa, se alguém precisar ele vai estar ali com todo o seu carinho e atenção.

Hoje fiz uma prova e não fui bem. Terminei de cantar já frustrada pensando que devia ter reclamado menos, estudado mais, escolhido uma música mais fácil...

Que não podia ter ficado tão nervosa, que devia ter comido direito (para conseguir respirar melhor), que devia ter ido mais vezes ensaiar com a pianista...

Que devia ter me irritado menos com o modo como estava sendo ensinada e me preocupado mais com o que estava sendo ensinado, menos com com o sistema e mais com uma maneira de me encaixar...

Reprovei. Justo da vez que achei que finalmente ia pular alguns níveis, eu reprovei. Quis colocar a culpa do meu desespero em pensar que isso pode me custar a vaga de piano. Já liguei agoniada para minha professora e pedi ajuda. O que se é possível fazer? Ela me acalmou e disse que vai conversar com 1000 coordenadoras e tentar resolver meu problema. Mesmo assim desliguei o telefone e chorei que nem um bebê. A vaga do piano é, sem dúvida, de extrema importância pra mim, mas mais do que isso lembro que em 8 anos eu deixei de alcançar 100% de aproveitamento uma única vez. E justo agora que sou professora de canto e que estou me apresentando com músicos renomados do cenário brasiliense toda semana em pelo menos dois lugares diferentes, escuto que a minha colocação está péssima, que estou sempre aquém da afinação, que isso no meu nível é inadmissível, que afinar é o mínimo para cantar... Justo nessa época tão importante eu não tenho uma intervenção da minha professora, no sentido de me dar suporte e ao menos comentar que na sala eu fui bem melhor do que na prova e nas apresentações. Porque se não fosse verdade não teria me deixado cantar uma canção a capella e teria sugerido que não fizesse a outra... não? Até a pianista acompanhadora, criou uma brecha para segurar minha mão dizendo que aquela música é muito difícil.

No meio do papel assoado e os olhos inchados lembrei de sábado quando desci do palco e uma ex professora de canto me disse o quanto eu cresci e o quanto estava impressionada comigo. Logo antes de uma amiga, mais uma cantora, que segurou minhas mãos, me olhou nos olhos e disse "Nível 3, nível 10, que se dane! O que você tem elas nunca vão ter! Alma! É a beleza da música!"

Pensando um pouco mais ainda lembrei de uma colega do piano, produtora, que uma vez fui consultar depois de cantar: "Desafinações a parte, o que você achou???" "Perfeito. Uma cantora de fama nacional, internacional se você quiser. Porque fulana e cicrana foram extremamente afinadas, mas você fez música!"

E aí eu me pergunto e pergunto a vocês: até que ponto o Tiago é burro? Até que ponto isso importa? Ele vai sair da escola e nunca mais vai precisar responder em 5s quanto é 5 x 4, e vai ser um pianista maravilhoso, daqueles que faz a gente arrepiar...

Até que ponto Pedro é um aluno ruim? Ele vai passar em 1º lugar pra Medicina na UnB e ninguém vai se importar se ele não está sentado e calado o tempo todo. As pessoas vão aprender a lidar (e até gostar) da vivacidade dele...

E o André? Até que ponto ele é desobediente? Se ele não escuta o professor porque está preocupado com a menina que machucou o dedo ou tentando consertar o brinquedo do coleguinha? Ele vai se tornar psicólogo renomado e o melhor amigo que se pode ter, daqueles que larga tudo quando alguém precisar.

E eu? Sou assim tão desafinada? Até que ponto isso realmente importa? Até que ponto vale a pena pirar porque não consigo ouvir todos esses erros? Até que ponto os "portatos" são mesmo proibidos e até que ponto eu tenho o direito de fazer o que eu quiser com a minha voz porque é verdadeiro? Até que ponto sou cantora, e até que ponto é só teatro? Porque, afinal, todo ponto de vista é a vista de um ponto...

Morena - jun/10

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meu Aniversário...


Não quero parecer dramática, mas talvez seja só isso: uma dose cavalar de ingratidão, ou de consciência... quem sabe?

Odeio fazer aniversário. Vez por outra acabo usando a desculpa para fazer festa (uso qualquer desculpa para uma boa festa), mas a verdade é que detesto.

Quando era adolescente, um pouco antes da febre dos celulares; me trancava na biblioteca o dia todo para não atender os telefonemas que procuravam por mim... Detesto ficar em evidência (exceção para o palco).

Quando fiquei um pouco mais velha, só desligava o celular. Eram sempre tantas pessoas que se lembravam de mim ao mesmo tempo, que era como se pudesse sentir seus pensamentos se aproximando e de repente ficasse sufocada.

Hoje, nem celular nem telefone. Esse ano resolvi fazer um teste e apenas durante as 24 horas do meu aniversário resolvi não entrar no orkut. Confesso que foi um dia agradável, e pela primeira vez contei para alguém que era meu aniversário! Foi mais uma chantagem, para a minha turma se comportar como presente, do que a simples abertura, mas ainda sim me senti enrubescer quando 20 crianças de 8 anos de idade cantaram parabéns e ainda fizeram com quem será com umas 15 pessoas diferentes...

Recebi 4 ligações, 2 mensagens no celular e três visitas importantes. Ainda recebi um email carinhoso de um irmão que mora longe e um presente de uma aluna querida... E acaba sendo inevitável não sentir falta do ano que acordei com bem uns dez amigos em volta da minha cama me trazendo de presente uma abóbora assinada (ver o texto "20 anos blues") ou não lembrar da vez que saí da sala da faculdade tantas vezes para atender o celular que o colega do lado me perguntou "Hoje é seu aniversário?". Rs... acho que era o único motivo que ele conseguiu imaginar para alguém ficar repentinamente famoso! =)

Ontem foi um dia extremamente agradável, cheio de obrigações e estudo. Pouco tempo para divagações... Uma das diretoras comprou um bolo delicioso de limão e uma caixinha de brigadeiros, enquanto os outros professores cantaram "Parabéns pra você" subindo de tom em tom ou, batendo palmas no contratempo, ou ainda "só instrumental" (essa foi nova pra mim, quer dizer só as palmas hauhau).

Só que hoje, toda essa leveza sumiu quando respirei fundo e resolvi abrir meu orkut... Fui bombardeada de recados iguais enviados muitas vezes por pessoas que nem lembro mais quem são, e que por certo tem a mesma recordação de mim.

Outras ainda tão especiais e queridas, mas com os mesmos votos recortados e colados do recado de cima. E a surpresa ao perceber amigos tão recentes, ou nem tão próximos, que se esforçaram por deixar uma mensagem um pouco mais pessoal... Penso então nessa tecnologia toda, na pressa e na facilidade que temos de descobrir o aniversário de alguém: navegando no orkut, onde se aperta meia dúzia de teclas e pronto! Antes os telefonemas vazios (mas que eu não conseguia perceber que ainda estavam BEM cheios de carinho a contar pelo tempo que demandavam de se largar o que se estava fazendo e a ligação) já me incomodavam e agora, acredito que esse digitar muitas vezes não deixa tempo nem de lembrar o nome da pessoa para quem o recado está sendo enviado...

Mesmo assim, a todos eu agradeço os votos! Acredito que quando muita gente deseja a mesma coisa, lá no céu enche mais minha caixa de bênçãos e Papai do Céu fica mais propenso a mandar mais rápido. =)

Talvez eu esteja só dando uma pála bem adolescente, "fazendo drama", ou, apenas tenha perdido a capacidade de canalizar minha intensidade para os meus textos. Não mais. Minha verdade está na respiração e densidade de um beijo demorado na bochecha e um abraço apertado. Peço desculpas se a alguém pareci insensível, mas percebi e quis ajudar a perceber. E o fato é que as marcas feitas no meu peito vão ficar tatuadas pra sempre, mas a partir de hoje, meu aniversário sai do orkut.

Morena - mai/10

Gabriel:
Nanis Nanis!!
Parabéns procê! Muita música, muito sucesso e principalmente, muito amor (pro clichê ficar melhor) nesse novo ano de vida.
Te adoro demais da conta!
Beijo

NÃNA:
Nayara vozeirão de ouro, quero te desejar mtas felicidades neste dia tão especial!
FELIZ ANIVERSÁRIO, tudo de bom e que vc continue por muuuitos e muitos anos a nos alegrar com sua alegria e liiinda voz!

Bju da Nãna

JONATAS MESSIAS:
Minha nega veia!!!!! Parabens, tu sabe q te amo muito ne???? Vc foi um dos presentes de Deus p minha vida minha irma, muito muito muito bom ter te conhecido e por compartilhar com vc, muitas coisas, es especial!!! Q vc continue sendo assim !!!! amo ti!!!!!!!!!!!!!!! bjssssssssssssssssssss

seila:
Parabens minha lindaaa!!! te desejo tudo de bom...
Queria ta ái perto pra te da esse parabens pessoalmente, pois sabe que amo muuuito vc, q a distancia não acaba amizade verdadeira.
bjs!!! MUUUUUITAS FELICIDADES...

Gabi:
Oi linda,
Estou aproveitando o orkut aberto da Gabi para lhe mandar um beijao
te amo mas voce ja sabe disso
tudo de bom
ps: ainda estamos esperando seu relatorio de viagem.

Felipe:
Feliz Aniversário Naiara!
Tudo de bom pra você que tem o dom de fazer as pessoas se sentirem bem. Que continue com essa sorrisão sempre e com a música trazendo luz a sua vida!
Adoro as conversas e macarrões de domingo a noite, viu! hehehe!
Beijão!

Kadja:
vou te dar Parabéns nao!
Todo mundo já tá fazendo isso...
Acho q eu vou te dar dinheiro $
qdo eu tiver, é claro!!!

Cristina:
Parabéns!
Nossa! Fico impressionada com o quanto que te desejo coisas boas para este dia e para sempre!
Você merece todo sucesso que procura e muito mais.
Gosto demais de você, viu!?
Um abração bem grande!
Bjo.

mozak:
parabems a cantora mais linda do mundo
que DEUS realize todos os teus sonhos
beijos

Leo:
Cantoria que faz bem aos ouvidos de todos, Nai!

Quero ouvir esse colibri de sorriso lindo cantando E MUITO hoje, feliz e contente por ter completado mais um ano de amizades, conquistas, realização profissional, pessoal, muuuuita saúde (tá precisando de um pouco mais, ainda!) e felicidades!

Gosto demais de vc, garotinha! Estarei ao seu lado 4éva! :D

Beijãozão!!

Rui Beth:
Dizem que idade e sabedoria caminham de mãos dadas, assim que hoje queremos PARABENIZAR-TE por mais um ano de sabedoriaaaaaaaaa!!!
FELIZZZ ANIVERSARIOOOOOOO, BJUS no coração