quinta-feira, 8 de julho de 2010

Política, politicagem e afins...


Acordo cedo e vou trabalhar, é incrível como no final do semestre o corpo da gente pesa mais na hora de levantar...

É uma manhã bonita. O sol resolve acordar junto comigo, diferente das outras manhãs da semana, e os passarinhos até cantam mais alto na minha janela.

Chego na escola e encontro meus aluninhos queridos, super empolgados com o pequeno show de talentos que prepararam durante a semana. E, a animação é tanta que até recebo uma mãe com máquina fotográfica e tudo mais...

Tudo está correndo muito bem quando percebo meu celular vibrar no bolso insistente, entre uma aula e outra espio o visor e vejo: 3 chamadas não atendidas. Bom, não reconheço o número e, de qualquer maneira não posso retornar agora.

Quando a aula acaba, saio correndo para um ensaio, mas claro, sou interrompida por coordenadoras e secretárias precisando de alguma coisa, além de pais de alunos querendo algum retorno sobre o rendimento dos meninos. Saio rindo e pensando que meu almoço já era.

Chego no ensaio, temos pouco menos de 30 min para definir o repertório e as formas de execução. Mesmo assim estou animada para a noite, afinal fui muito bem recebida da última vez que cantei para aquele público. E, apesar de sempre me incomodar um bocado estar no meio de políticos e garotas bonitas que desfilam com eles, tento lembrar que antes de tudo são pessoas, e é por isso que eu faço o que faço: adoro gente. Fora que a anfitriã é uma pessoa muito querida, mãe de uma amiga muito querida, tanto que combinei um cachê que "mal paga o cafezinho".

O aluno do sanfoneiro chega e ele não tem tempo de almoçar propiamente. Combino de pega-lo às 18:30h.

Vou para casa correndo gravar o cd que ele me passou, ver se como alguma coisa, colocar as músicas no papel, relembrar alguns trechos de letras e faço uma coisa que não custumo fazer: ligo para confirmar. Porque sou diferente... eu acho... pra mim se tá falado, tá falado! Se alguma coisa acontecer a gente entra em contato mas caso contrário já está confirmado quando eu digo que vou. Mesmo assim, tenho vontade de ligar, quem sabe não foi ela quem me ligou de manhã? Hum... não atende... bom, nem tenho crédito para ficar retornando todas as ligações de números estranhos. Se for importante tenta ligar de novo!

Ajeito tudo e quando penso que vou ter um minuto para descansar o telefone toca. É um percussionista querendo me dizer que o meu percussionista está doente, que ele vai fazer o trabalho se eu quiser, mas vai tocar com a orquestra até 20:45h. E o meu evento começa as 20h. Desligo o telefone e frito pensando em ligar para um terceiro, mas não posso, assim tão em cima da hora? Confirmei o evento no dia anterior e já era muito em cima pra chamar alguém. Retorno a ligação e peço "voa pra lá!"

Me arrumo correndo e chego atrasada pra pegar o sanfoneiro, tadinho! Ele nem tem tempo de dar uma descansada das aulas (62 anos eventualmente começam a pesar né?!) porque a gente tem que separar mais algumas músicas pra fazer piano e voz enquanto o percussionista não chega.

Saímos correndo e ele, com fome, já me fala do jantar que vai ter no local do evento. Até nos esforçamos pra chegar mais cedo porque ele quer comer antes de tocar. Chegamos em cima da hora e quando chegamos uma surpresa: não se pode mais tocar em eventos políticos. A assessora tenta me explicar que me ligou "o dia todo", que no final é melhor assim porque quem tem dinheiro pra levar Zezé de Camargo ganha a eleição etc, etc.

É aí que me lembro que ainda não estou na rua panfletando a favor do voto nulo com dinheiro do meu bolso (porque se 50% mais um voto forem nulos, uma nova eleição é convocada com novos candidatos.), por causa dela! E nem fui atrás de verificar a veracidade dessa informação porque ela me ajudou antes de pensar em se eleger. Me ajudou de graça... E desde então comecei a tentar dar uma nova chance a política dentro de mim mesma, pensando que existem candidatos bons e tal. Na verdade é exatamente isso que digo para a presidente do movimento jovem do partido quando ela começa a falar dos encontros, dos sarais e já vai me dando uma preguiça... "Não entendo nada de política, e pra falar a verdade, nem gosto. Não me meto com partidos nem com campanhas. Eu gosto e entendo de pessoas e é com isso que eu me meto." Daí falo pra ela da anfitriã e do dançarino que me contratou da última vez. É disso que eu entendo, de verdade! E de repente já me acalmo um pouco da frustração que eu estava né?! 62 anos... E fiz ele carregar a sanfona da Ceilândia desde 8h da manhã nem por um cachê, mas por uma amizade. Ele é bonzinho, sei que não vai brigar comigo, e isso me consome ainda mais. Mesmo assim, do jeitinho dele me chama a atenção por não ter confirmado.

Lembro do meu projeto, barato, prático: literatura itinerante nas satélites, no meio da rua pra quem não tem voz. Penso que agora na época de eleição é hora de conseguir as verbas né?! Porque eu tenho um projeto, eles precisam aparecer então junta a fome com a vontade de comer e... Ouço que o projeto não deve sair por agora porque "todo dinheiro pra campanha é pouco". Como assim? Depois, parada no sinal fechado, entendo: cartazes, faixas, panfletos e um candidato na minha porta me entregando adesivos...

É assim que gasta dinheiro de campanha? É, não entendo mesmo de política! Porque eu COM CERTEZA não vou votar no cara do sinal, mas se estivesse passando na rua e visse um palhaço recitando um poema e um menino escrevendo um texto anotaria o nome escrito no bloco de papel para votar no cara! E, panfleto por panfleto todo mundo distribui e só deixa a cidade suja... Mas que tal pagar o meu cachê, me dar bloco de papel e lápis com sua logo? Colocar seu nome nas costas da minha camiseta na parte que diz "patrocínio"... eu uso! E acabo fazendo campanha pra você, não porque você me ofereceu um cargo, mas porque acreditou em mim, e nas pessoas contempladas pelo meu projeto. É disso que o povo precisa.

Fui levar meu sanfoneiro na rodoviária para ele poder pegar o transatlântico, os dois aviões, o metrô e o ônibus antes de chegar em casa, afinal, a carona dele foi embora a pouco mais de duas horas atrás... Engato a primeira e penso em fazer uma faixa bem grande:

Porque quem fala muito, não diz nada; mas quem faz muito, diz tudo!

Morena - jul/10

4 comentários:

Anônimo disse...

Nossa Nai e por isso que ñ gosto de politica,viu?Afinal eles tinham que ter pago o cachê de vcs,pq eles ñ conseguiram desmarcar ,pôxa...que dó do sanfoneiro!!!

cabare dos concursos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
... concursos disse...

Puxa, eu não sei nem como me desculpar com vc ou com o safoneiro. Vc sabe que eu nunca daria esse trabalho todo pra vc por nada. Na verdade esse acessoramento que foi falho. Se tivessem me avisado, eu tentaria deixar pelo menos uma msg pra vc no Orkut ou no seu e-mail.
Nessa faze o político nao faz nada burocratico, ele tem que ficar na rua e ir a diversas reuniões pra ver se consegue patrocínio, mostrar suas propostas e tentar convencer os outros. Como vc sabe esse político é sgt da PM e não tem $. Aí que ela tem que trabalhar +. Essa parte da comunicaçao e eventos é feito pela acessoria, q tbm tá trabalhando de graça, pois acreditam nela e nos projeto de socio-inclusao que ela já trabalhava. Afinal, com o saário da PM da pra pagar alguma acessoria? Como eles tbm tão fazendo favor, e nem um cachê de cafezinho tão recebendo fica até meio chato chegar pagando sapo. Vc entende?!?
Mas, mesmo assim 1000000000000000000000 desculpas, eu nunca queria q vc e o safoneiro tivessem passado por isso. Perdão mesmo!!!!
O político só tomou conhecimento na hora tbm, e ficar super sem graça.

PS. Mas o trato continua: vc ainda vai cantar no meu casamento, nem que seja daqui a 20 anos!!!
Bjão e vc sabe que eu te adoro!!!

Anônimo disse...

Tche, Tche, Tche ... [riria a vovó da chiquinha]

Riririririrrrrrr ... {riria o Mutlei)

Eu diria assim:

- Nem tudo o que reluz é ouro!

- Quem nunca trabalhou com político, chora;

- E o leitinho das crianças vai innndooooo...

Eu so fico rindo, riiiinnnnnndoooo ...

Falicidades Morena!