segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Capim

"Capim do Vale
Vara de goiabeira na beira do rio
Paro para me benzer
Mãe d'água, sai um pouquinho desse seu leito-ninho
Que eu tenho um carinho para lhe fazer

Pinheiros do Paraná, que bom tê-los
Como areia no mar
Mangas do Pará
Pitombeiras da Borborema
A ema gemeu no tronco do Juremá

Cacique perdeu, mas lutou que eu vi
Jari não é Deus, mas acham que sim
Que fim levou o amor?
Plantei um pé de fulô
Deu capim"

Coloquei no meu orkut "plantei um pé de fulô deu capim". E me reclamaram dizendo que a culpa é minha, que não cuidei. Engraçado que nunca fiz essa leitura, a mais óbvia por certo, de que deu capim em volta da flor.

Pra mim eu plantei a flor, juro que plantei. Escolhi cada sementinha com cuidado, deitei na terra fofa com carinho e tratei de cobrir com beijinhos de boa noite. Só que nasceu capim...

"Que fim levou o amor?"

sábado, 22 de agosto de 2009

Música x Textos

Em um desses raros momentos de entrar na net e ainda não ter recebido resposta dos e-mails enviados, o orkut não ter nada de novo, e ainda o pior de tudo: O "um que tenha" ter saído do ar (alguém sabe o que aconteceu???) resolvi dar uma conferida em um dos meus blogs favoritos: Frenesi. Dei risadas, fiz comentários e fui conferir outro blog de que gosto muito: roendo unhas. Daí lembrei que a Bárbara reclamou "você nunca atualiza seu blog!" É. Não sou o que pode se chamar de "bloguera" ou algo assim... Entro na net só pra conferir mensagens e baixar músicas (o que tá sendo um INFERNO agora sem meu site favorito... =S)

Em fim, resolvi fazer também um "diário" das minhas pálas e reflexões, talvez assim vocês façam comentários quando passarem por aqui e não só na rua quando me encontrarem...

Estou passando por uma numa fase (espera-se que permanente) super musical. Tomo banho escutando música, dirijo, como, estudo, leio e quando por algum motivo fico sem música (por exemplo quando volto do trampo e são malditas 19h e eu estou sem o pendrive), parece que vou enlouquecer de solidão!!! Ou de tédio... o que vier primeiro. Talvez por isso começo a sentir meus textos inadequados ou apenas me sentir estéril. Lembram daquela propaganda de cursinho de inglês que o cara estava no avião e quando ele abria a boca pra falar o vocabulário dele ia pulando de paraquedas? É mais ou menos isso... Sabe aquela sensação de vomitar que se tem quando senta no pc e libera toda aquela raiva da conversa de hoje de tarde que você se controlou? Pois é... Sempre pensava "ah cretino... quando eu chegar em casa você vai ver!" Daí chegava em casa escrevia qualquer coisa que me libertasse e pronto! Ficava por isso mesmo. Mas parece que não mais.

Percebi isso no dia da roda de samba, quem foi vai lembrar, quando eu comecei a recitar um texto que eu escrevi em um momento de muita raiva. Antes de começar o show, além de nervosa eu estava furiosa com algumas coisas e pra nao estragar tudo, mordi a língua e esperei pra soltar tudo no texto. Só que na hora eu entendi. Ele nao comportava a minha dor, a minha angústia, a minha raiva... Me deu um nó na garganta e uma vontade de chorar. Eu sei, podia ter chorado e pagado de atriz ainda! heheh mas o texto não comportava. Ele era sínico, não cabiam lágrimas. Sabe aquela sensação de fechar a boca até encontrar um saco de vômito e quando você está finalmente pronta percebe que o raio do saco tá furado? Foi tipo isso. O que fazer? É nojento o que eu vou falar mas é a verdade: engolir tudo e sorrir! No caso até funcionou, mas e agora? Onde jogo as minhas emoções? Eu não bebo pra poder alucinar e dar desculpa de "não lembro de nada" ou "eu tava bêbada"...

Em virtude disso tomei uma decisão muito séria e quero anunciar publicamente que a partir de hoje além de cantora eu também vou ser compositora. Talvez seja isso que me falte: o casamento da melodia com as palavras. E eu vou arriscar. Já escrevi várias cancoes mas sempre rasgava e jogava tudo fora, agora penso diferente: nao posso escrever nada bom sem ter escrito algo bem ruim antes. Afinal, Choro Bandido nao foi a primeira cancao do Chico correto? Certo que deve ter sido alguma coisa linda porque afinal... Bom, eu nao sou o Chico. A boa notícia é que essa semana já me vieram duas idéias de cancoes! E a má é que ainda estou na fase "bem ruim"...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estéril

Sento em minha mesa e encaro o papel em branco.
Estéril.
De onde a poesia se esvaiu para sempre...

Tento buscar outro, mas o problema continua:
mais um papel em branco.

Ligo o rádio e não posso ouvir nada...
Parece que a música também se foi para sempre.

Penso no que poderia ter feito para viver assim,
Só...

A arte corre por meu sangue mas só poderia libertá-la com a morte.
De repente não me parece um preço tão alto.

Geração infinita de poetas e músicos estéreis...
Parece que não há nada de novo. "É sempre o velho mascarado"

E dentro de mim as notas se acalmam e se misturam.
Tento gritar para ver se se assustam e não deixam de ser música...
Em vão.

Morena-jul/09

Comédia Romântica

Poderia nem estar pensando,
Poderia passar em frente a sua casa e nem notar,
Poderia escutar sua música favorita sem a ouvir...
Poderia até fechar os olhos e não sentir sua falta.
Mas como poderia?
Somos protagonistas de uma comédia romântica
E o resto do mundo é apenas um belo cenário:
Abaixo, um solo gramado,
Acima, um luar gigante,
Entre quatro paredes de estrelas...
Como seria?
Como qualquer um desses romances, de três personagens,
Diferente apenas por ser nosso:
Você, um mocinho divertido.
Eu, apenas mais uma dessas mocinhas bobas.
O grande vilão, a saudade.

Batia em suas costas incessantemente,
Mas meus gritos não comoviam um coração de pedra.
Mesmo assim, ele me carregava em seus ombros
E me matava a cada passo.
Intrigante,
Porque ao mesmo tempo que me mata,
Me alenta,
Dá sentido a minha vida que se esvai a cada passo...
A cada passo...
A cada passo ele me tirava de você,
Confundia minhas lembranças,
Apertava meu peito...
Eu gritava... cada vez mais...
Só você podia me salvar.
Então, como grande super-herói,
Chegou distribuindo socos
E me levando em seus braços...

O vilão é cruel, mas necessário.
Porque se não tem vilão,
Não tem mocinho.
E se não existe mocinho,
Pra quê uma mocinha?
E se não tem mocinho nem mocinha,
Não tem história de amor,
Não tem eu e você...
Não tem nossos rostos mal pintados
Nas capas dos livros de história,
Nem o meu medo de te perder
E a sua coragem de não me deixar perder.
Daí o mundo fica triste.
Mas a história se repete e a saudade ainda existe,
Apenas para nos deixar viver felizes para sempre
Entre mocinhas e bandidos.

Morena - dez/03

Passarinhos Passarão

De repente parei de me sentir mal, de sentir pena de mim e resolvi deixar doer o que tinha de doer. Uma hora dessas aí passava e tudo voltava ao normal.
Só não esperava que fosse tão rápido...
Aprendi que quanto mais medo se tem, mais dor se sente.
Daí fiquei tranquila, meio sem saber o que ou como fazer já que estava meio anestesiada. Passar, passar, não passou. Eu acho... Mas a muito já não dói.
Fato.

Morena - mai/09

Soneto de Escola


Essa lembrança tem um gostinho diferente,
Tem cheiro de infância.
Me sinto num antigo romance,
Coisa de menino em tempos de escola...

Primeiro dia, primeiro caderno, primeira namorada...
Andréia, Gabriela, Fabiana...
Bons tempos aqueles,
Quando podia ter todas sem ter nenhuma.

Meninos bobos, capazes, felizes.
Desde o jardim da infância apaixonados, apaixonantes.
Apenas crianças a brincar de roda...

Infeliz do tempo que não volta,
Quem me dera voltar e ter você de novo...
Eu, você e a nossa infância perdida.

Morena - dez/03

Simplesmente você

O papel está branco.
Irremediavelmente branco.
E os versos compostos, escritos por letras invisíveis e rimas sem cor.
Não é necessário que se diga sobre o que é o poema...
Nós dois sabemos,
É o que importa.
Nós dois, que aprendemos a travar longas conversas silenciosas.
Nós dois que temos a consciência,
E nossos olhares perguntam e respondem sem que se necessite do resto.
Hoje, vim aqui para mostrar um poema simples,
Mas restrito.
Que não pode ser lido por doutores de letras,
Nem transcrito com tinta...
É um poema silencioso, branco,
Onde se encontram todas as rimas e nenhuma ao mesmo tempo.
Onde apenas se sabe...

A primeira estrofe, encontra-se no brilho dos olhos.

Leia-se a segunda entre o palpitar do coração apressado.

A terceira, está no respirar furioso de quem suga o ar por onde pode,
Como pode e sua, sua de ansiedade do encontro
E cada gota carrega um verso.

As pontas dos dedos,
Que logo vaguearão carinhosamente pelas negras madeixas,
Serão palavras salpicadas e nervosamente encaixadas entre as vagas idéias.

O final encontra-se na boca fresca, de lábios entreabertos. E...
O que mais é necessário?
Nada poderia existir no mundo de mais poético e perfeito em formas,
Nenhum pintor poderia pintar,
Nenhuma palavra poderia traduzir,
Nenhum gesto poderia expressar,
Tempo nenhum poderia apagar essa imagem...
A imagem do amor...
Do meu amor:
Você.

Morena - dez/2003