quarta-feira, 3 de março de 2010

Música, música e mais música!!!



Pessoas! Resolvi que fazer, viver e ouvir música não estão sendo suficientes pra mim!!! Preciso falar de música tbm!!!

Daí inventei de escrever um livro de contos, crônicas e poemas. Talvez mais organizar do que escrever... Mas então, se alguém quiser escrever um texto sobre música manda pra mim!

nanysnanys@hotmail.com

- Preciso do nome da pessoa (dois nomes né?! Pode ser artístico)
- Profissão
- De onde é
- Quantos anos tem de música (pode ser criativo nessa resposta...)
- email

Algumas histórias eu vou mexer na narração ou posso reescrever se for o caso, n tem importância. O mais importante é a história... Daí mando de volta pra o dono ver se eu n acabei mentindo na tentativa de enfeitar... =)

bjinhos pra todos!!!

Morena

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Insana



Canção: Insana de Sueli Costa e Ana Terra por Naiara Morena

Morena - fev/10

sábado, 19 de dezembro de 2009

Até que a paixão acabe

Será que acredito que casamentos deviam ser simplesmente na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a paixão acabe?

Ontem presenciei uma cena tão bonita... ele, completamente apaixonado. Não se esquecia dela e sempre que aparecia uma deixa, seus olhos verdes se entregavam e nem precisava falar, todo mundo já sabia. Fora a agonia de encontrar e, mesmo que estivesse tudo perfeito, estar com ela seria por si só mais que perfeito. E, se se distraía, era por poucos segundos, até sentir o celular vibrar no bolso. Mesmo quando nem tinha tocado...

Ela, simplesmente criativa. Passou o dia todo armando como abrir o sorriso dele. Fez planos, arrumou cúmplices, deu voltas, se perdeu, se achou e fez tudo para que os olhos dele brilhassem ainda mais. Talvez não soubesse que só sua presença já daria conta do recado.

Daí a pouco ele volta, ridículo: sem camisa, de shorts, descalço, com um balão de hélio amarrado no pulso, um colar de papel com letras garrafais escrito “FELIZ” e uma saia das letras “ANIVERSÁRIO”. Provavelmente ela ligou e disse “estou aqui!”, e ele saiu da piscina num pulo para encontrá-la. Quando alguém perguntava “quem fez isso com você”, ele sorria, mais com os olhos do que com os lábios, e respondia “Adivinha?!”, enquanto eu pensava sozinha: Para se permitir desfilar desse jeito só muito apaixonado mesmo. Momentos antes, me mostrou a foto dela que já ocupava o papel de parede do celular...

Sorri ao reparar que ela estava de salto no barro. Quanto esforço por um sorriso, por um querer bem... Já pude imaginar as latinhas amarradas no pára-choque e o vidro escrito de batom: “Recém casados”. E dali eles partindo para a lua de mel e as letrinhas subindo enquanto o narrador concluía “E viveram felizes para sempre”.

No entanto, de outros carnavais, me lembro que ele era casado. Posso estar errada, mas não conseguia parar de pensar nisso: E dessa vez? Até quando vai ser? E do meu lado o outro que sempre fez tanta questão da tal da aliança, que até parecia que honrava, já a algum tempo me agonia com um tira e põe interminável. E na frente mais um, que a pouco conheço, mas que ontem, na presença da mulher, até tirou a argola do bolso. Dentro da minha sala, conta aventuras e ex namoradas, mas nunca mencionou um casamento e muito menos os frutos dele.

Me entristeci ao lembrar de mim mesma e da minha história. Ao olhar em volta, ver paixão e pensar naqueles que apenas suportam a convivência e em outros muitos que fingem suportar. Lembro de eu mesma já ter, depois de velha, caído no conto do vigário e acreditado ter encontrado o meu “alguém”, aquele que costumava fazer meu coração bater rápido e devagar ao mesmo tempo... E eu, que sempre fui um frio metrônomo cardíaco, saí tanto do compasso que achava que mais cedo ou mais tarde ia terminar em pausa...

Algumas pessoas são más. Outras são inocentes. Outras ainda são simplesmente frouxas (Quis usar a palavra “covardes” mas, apesar da elegância, não tem a metade da força). Algumas se apaixonam, outras mentem. Algumas ainda tem a capacidade de fazer os dois. Essas são as mais difíceis de entender... Mas vendo os carros se distanciando na poeira me senti sorrir por dentro pensando em como quero acreditar em contos de fadas e sentir meu coração, morto, acordar num choque e se encaixar em algum outro que possa talvez nem compreender mas simplesmente não julgar, e o mais importante: Não mentir.

“Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse Oceano Atlântico”

Morena – dez/09

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Malandro x Vagabundo

Esses dias fui surpreendida com um material interessante para fazer um seminário: uma lista de filmes de Charles Chaplin. Fui na Oscarito e só consegui encontrar um dos filmes da lista: "O circo" de 1928.

Vim para casa sem ter certeza se estava ou não com sorte, afinal, cinema nunca foi o meu forte e filmes antigos me dão sono. Fico feliz de relatar minha surpresa ao descobrir um filme divertido, interessante, cheio de lições e críticas. Um filme mudo que exige da criatividade do espectador para entender cada gesto e localizar as frases soltas.

No dia seguinte, rodei todas as locadoras "cult" da cidade mas só encontrei menos da metade da lista. Empenhada em fazer um bom trabalho, assim mesmo, assisti os que pude na véspera do grande dia:

22h e eu me sentava na frente da televisão para começar uma longa seção de cinema em casa...

Logo de início, quis associar o vagabundo ao malandro, acho que o figurino sempre tão elegante e o chapéu me fizeram a sugestão mas não demorou para que eu pudesse perceber que as semelhanças não vão longe...

O vagabundo Carlitos é capaz de dar a última bicada do leite escasso ao grande companheiro cachorro.
(Vida de Cachorro, 1918).
O malandro Max é capaz de apostar o dinheiro que recebeu da prostituta enamorada.
(A ópera do Malandro, 1978).

O vagabundo é capaz de entrar em um ring de box para pagar o aluguel e a cirurgia de uma mulher cega. É capaz de fugir da polícia e entregar até o último centavo para a alegria da moça.
(Luzes da Cidade, 1931)
O malandro é capaz de inventar uma convocação para a guerra só para não ter que falar a verdade.
(A ópera do Malandro)

O vagabundo não se importa se ele mesmo não sai ganhando, dá uma de cupido e une a amada com o concorrente, admitindo a derrota, sacode o pó das calças e sai rodando sua bengala em direção ao futuro.
(O circo)
O malandro não gosta de nenhuma moça em especial, desde que use saias, ele não se amarra em uma só mulher.
(Malandro é Malandro e Mané é Mané, Bezerra da Silva, 2000)

O vagabundo é humano, até pensa em não arrumar mais problemas mas se apaixona pelo rostinho do bebê e divide com o pequeno órfão o seu pouco sustento.
(O Garoto, 1921)
"A escola do malandro é fingir que sabe amar sem elas perceberem para não estrilar"
(Escola de Malandro, Noel Rosa, 1932)

O vagabundo se apaixona e arranja um emprego para pagar um bom jantar.
(Em busca do ouro, 1925)
O malandro caminha como quem pisa nos corações que rolaram nos cabarés.
(A volta do Malandro, Chico Buarque, 1985)

O vagabundo é doce.
O malandro charmoso.

O vagabundo é meio Robin Wood.
O malandro é meio político.

O vagabundo é um cavalheiro.
O malandro passa por um.

O vagabundo não espera nada em troca.
O malandro sempre ganha a troca.

O vagabundo não pensa no dia seguinte.
O malandro pensa na mulher seguinte.

O vagabundo não procura trabalho.
O malandro não aceita trabalho.

E no fim, com tudo diferente ainda são iguais: nenhum dos dois tem medo do futuro e ambos confiam no próprio taco (seja o da sinuca ou da bengala)...

Uma vez me apaixonei por um auto intitulado malandro. O chapéu quebrado e a calça passada me deixaram encantada. Hoje não entendo porque o malandro é sinônimo de esperteza e vagabundo de preguiça. Para mim, o malandro é um aproveitador e o vagabundo um sujeito apaixonante!

Morena - dez/09

sábado, 5 de dezembro de 2009

Música

Frequentemente pessoas me encontram ou me conhecem e me perguntam:
- Você é música?

Não. Não sou música. Mas se fosse queria ser o Choro pro Zé do Guinga. Ter a beleza, a extensão, a melodia que desliza, a letra que cativa e poder carregar comigo a melancolia, fazer arrepiar e apaixonar qualquer um que colocasse os ouvidos em mim.

Se eu fosse música, queria ser do Chico mais um Choro: o bandido. Para sentir a hamornia entortar todo o meu ser de dentro para fora, para poder respirar ofegante ao ser cantada pela Leny. Para ser fruto dele e do Edu, para poder trazer correndo nas minhas veias o sangue da inspiração de cada um e dos dois juntos.

Ah! Se eu fosse música queria ser parceira do João Nogueira e do Paulo César para poder mostrar ao samba qual a Minha Missão. Passear pela voz de Clara Nunes e ser sempre lembrada como um hino. Cada toque na minha pele intensa causaria em mim mesma o prazer de saber quem eu sou e porque sou. E lembrar que para poder estar viva e ser tocada, acariciada, chorada e amada muita madeira teve que morrer.

Se ainda eu fosse música, seria Insana. Mas poucos me conheceriam. Teria o prazer de penetrar na alma e sangrar o coração. Seria filha de duas mães: Sueli Costa e Ana Terra e mostraria toda a minha força frágil e feminina de ser música.

Se eu fosse música... Não saberia escolher! Felizmente Papai do Céu me fez gente, menina, mulher, senhora. Me pôs uma alma dentro do corpo e fez meu coração reconhecer o bumbo, o surdo e a zabumba como companheiros de batida.

Felizmente, Papai do Céu me permitiu cantar. Tocar e ser tocada por cada canção que me permita a proximidade. Felizmente, Ele me permitiu ser musicista e carregar a música na garganta para onde quer que eu vá. Assim, não preciso escolher, nem me conformar. Posso ser todas sem, ao mesmo tempo, ser nenhuma e posso sentir que a entidade maior vai sempre me acompanhar enquanto eu puder ser sensível e verdadeira com ela e comigo mesma.

"Cantei, cantei! Como é cruel cantar assim..."

Morena - dez/09

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Relógio


Acordou assustado e percebeu que era tarde. Mal conseguira dormir durante a noite e mesmo assim foi capaz de perder a hora. Com ironia refletiu sobre isso: interessante perder a hora... Será que em algum momento teria sido senhor dela?

Se apressou em enfiar a camisa na calça e sair correndo, nem teve tempo de tomar aquela xícara de pingado que se tornara sua maior religião antes de encontrar a porta. E ele, que não sabia correr, saiu desajeitado pela rua afora.

Já na estação do metrô, a mulher do caixa não tinha trocado e, obviamente as próximas 10 pessoas também não tinham. Tentava, no entanto, ser positivo: o primeiro troco seria o dele.

Assim que o recebeu saiu apressado e, devido a ansiedade, amassou o cartão de passe na tentativa de colocá-lo na máquina de acesso. E mais um bom tempo foi perdido para reverter o processo.

Já ao longe podia-se ouvir o barulho do metrô chegando e seus ouvidos sensíveis podiam até distinguir que aquele seguia para o lado correto. Desceu as escadas burlando uma senhora, quase tropeçando em uma criança e pedindo desculpas sem diminuir o ritmo.

Já podia visualizar a condução quando teve a brilhante idéia de ler o destino: samambaia. Deu alguns passos para trás e, desolado, ocupou logo uma cadeira que acabara de vagar.

Perdi a hora de novo... pensava agitado. Será que não exisitiria um seguro ante roubo de hora? Ele não era tão desleixado para perde-la com tanta frequência. Se acreditava roubado quase todo dia do privilégio de saber onde ela estaria. E mesmo assim não se atrevia a olhar o relógio, como se esse pequeno objeto pudesse atrasá-lo ainda mais. E tão perdido ficou em seus pensamentos e tanto demorou o próximo metrô a chegar que foi por pouco que não permaneceu enquanto o vagão se afastava.

Levantou aflito e se dirigiu à porta quando lembrou estar a apenas três estações do terminal. Respirou aliviado e se preparou para encontrar um acento vazio ao lado da janela, onde poderia confortavelmente apoiar seu violão entre as pernas e curtir a pouca paisagem que lhe dava direito as entradas e saídas dos túneis.

Quando o transporte parou, grande surpresa ao reparar os "bafinhos" no vidro e pensar que não era possível que ainda ele conseguisse entrar, calculou. Mas mesmo assim deu um passo a frente e sentiu o guada-chuva prender atrás de si. Tentou ainda puxá-lo com força mas notava apenas que ficava mais preso e que logo alguém tomaria o pequeno espaço que ele reservara para si dentro daquele vagão. As portas se abriram e ele soltou um breve suspiro ao lembrar do preço do guarda-chuva, antes de soltá-lo e dar aquele primeiro passo que crusa a linha amarela. A surpresa veio ao perceber que ao menos mais vinte pessoas entraram depois dele e sem esforço nenhum ele parou no meio do vagão. Só se preocupou em não deixar o violão se expremer contra um acento ou algo que pudesse danificá-lo. Ainda pôde sorrir de canto de boca ao perceber que não precisaria segurá-lo. Tudo culpa do tempo, da hora que escorria por entre seus dedos de unhas compridas...

A chuva fina não permitia que as pequenas janelas superiores ficassem abertas e em um primeiro momento, sentiu a cabeça tontear e o ar lhe faltar nos pulmões, mas depois lembrou do motivo da pressa e pôde até relaxar um pouco. Estava atrasado, mas estava a caminho. E, mesmo sendo tão magrinho, sentia seu corpo todo suar naquela eternidade que levava entre uma parada e outra. Chegou a tirar o chapéu por duas ou três vezes e pentear o cabelo liso na tentativa de não deixá-lo grudar na testa.

Finalmente o metrô parou e ele, com urgência, se jogou no meio da multidão na esperança não só de conseguir chegar até a porta antes que ela se fechasse, como de ser o primeiro a encontrar o ar puro.

Mais uma vez ele correu naquele dia e, sem proteção, misturava as gotas de suor às daquela chuva insistente.

Minutos depois ele conseguiu visualizar o destino pretendido e, de envergonha pelo atraso, ou ansiedade pelo fim da espera, caminhou a passos lentos em direção a ela, que de cabeça baixa se concentrava em ler um livro.

Ao notar a sombra se espalhar pela mesa, ela tomou um minuto e observou as proporções antes de morder os lábios, virar-se e dizer:

- Você está atrasado.
- Eu sei. Me desculpe.

Ela então sorriu com singeleza e, sem se levantar, envolveu a cintura dele com os braços e se sentiu ensurdecer ao ouvir seu coração.

Morena nov/09

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

15 de novembro


Dia 15 de novembro é meu aniversário.

Engraçado como essas datas costumam ser muito importantes na vida das pessoas...

Mas o dia 15 de novembro de 2009 se torna ainda mais importante porque não será um aniversário qualquer, não senhor. Será o dia que completarei um ano. E o primeiro, costuma ser o mais lembrado... depois não, o tempo passa e a gente pouco a pouco vai se esquecendo de comemorar. Outras prioridades entram no caminho, as significantes e os próprios significados dos nossos dias começam a mudar... acho que faz parte de viver.

Confessor estar um pouco ansiosa por essa data. Parece que foi ontem quando eu ainda era um bebezinho recém descobrindo a magia que me esperava... Não que hoje eu seja muito mais do que isso, não tenho a pretenção de ter crescido tanto assim no meu primeiro ano, mas hão de convir que é no primeiro ano que se nota a maior diferença. Quem pode não reconhecer um adulto depois de passar 365 dias sem vê-lo? Talvez alguns quilos, cabelos a mais ou a menos, barba quem sabe? Mas de um bebê recém nascido, daqueles ainda com cara de joelho para uma criança de um ano há uma grande diferença. Me arrisco a dizer que talvez a própria mãe o pudesse saber e só. Me olho no espelho e não posso reconhecer o meu próprio reflexo em um ano de vida. Quem então poderia?

O fato é que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria e em breve, no dia 15 de novembro, quando a proclamação da república completa seus 120 anos eu, humildemente, completo meu primeiro ano de samba. Gosto de pensar que fui apenas rebelde quando lembro dos "adonirans" que meu pai costumava cantar para me ninar, mas, como dizem por aí "o bom filho à casa torna" e na bíblia, o pai comemora com uma grande festa.

Bom, eu nasci em um churrasco, com a ajuda de dois grandes músicos e amigos que facilitaram o trauma do parto com bossas e xotezinhos pra eu tentar esconder, inclusive de mim mesma, o pavor de não conhecer as melodias e ter que ler as letras nos lábios de outro para então, entre risos, cantar atrasado no microfone. No entanto, foi tudo muito melhor do que eu poderia me dar ao luxo de imaginar e, se me permitem parafrasear Mário Quintana:

"Nasci no Lago Norte, DF, em 15 de novembro de 2008. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu."

Agora só espero ansiosa saber se vai ter comemoração do meu primeiro aninho... Daí posso mostrar que já cresci um pouquinho... =D

Morena - out/09