Em um segundo vou da lágrima ao riso, do mágico ao real, do religioso ao cético.
Em um segundo me envolvo em um acidente, perco o controle ou ganho respeito.
Em um segundo a vida pode acontecer e desacontecer... em apenas um segundo.
Em um segundo alguém famoso morre, em um segundo aparece no jornal e em um segundo ninguém mais se lembra disso.
Em um segundo um satélite pode percorrer vários quilômetros e em um segundo você mal pode ler esta frase.
Em um segundo a vida pode se perder ou transformar.
Em um segundo esqueci meu sorriso dentro do seu violão... e em um segundo ele fugiu junto com o seu.
Em um segundo o horário oficial brasileiro é reajustado e em um segundo ninguém mais se importa. Só não sei como. Porque em um segundo, se vive uma vida.
Em um segundo mora toda a eternidade e apenas esse instante. Que já passou...
Um segundo pra quem vive correndo é muito pra perder.
Um segundo pra quem está morrendo é muito pra ganhar.
Em um segundo um carro de fórmula 1 percorre mais de cem metros.
Em um segundo trágico, verás que sou verdadeiro em minhas palavras e em um segundo mágico, eu provo que ao meu lado é o seu lugar.
Em um segundo se pode chegar às estrelas e um homem pode mudar seu destino em um segundo ou por um segundo.
Em um único segundo posso dar a volta ao mundo nos meus sonhos, e em um segundo estou de volta.
Só me levou um segundo pra perder meu coração. Justo no dia que ia entregá-lo a você...
Em um segundo vaguei maltrapilha e louca por universos sem fim em busca do meu bem mais precioso...
Em um segundo percebi que era vão.
Em um segundo você virá até mim. E no mesmo segundo eu irei até você.
Em um segundo a pausa acaba. E no mesmo segundo a música começa.
Só me resta um segundo,
e espero que seja possível dizer que quero ficar com você...
Por eternos segundos...
Mas só a partir do próximo segundo: o segundo ato dessa história.
Só porque segundo após segundo acredito que quem levou meu coração foi você.
Peço a todos um segundo de silêncio... E paciência.
Morena - jan/09
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Tiros, pedras e rosas

"Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra" - disse certa vez um homem santo a uma multidão enfurecida. Não, não foi isso o que ele disse. Mas nem por isso a frase deixa de ser verdadeira. Se estivesse lá a algum tempo atrás, eu teria segurado algo de tamanho próximo a um tijolo e perguntado despreocupadamente: "Já pode começar?" No entanto, não teria dito por se tratar de uma verdade. Teria dito apenas porque hoje sei que naquela época era verdade...
Me facina pensar que a verdade em si está em cada despertar, e que não se pode compartilhá-la completamente. Não é como um bolo que em uma fatia se prova o todo. É como no teatro: ao se entregar a um personagem se perde a possibilidade do outro. Apenas o público pode sentir correr nas veias a essência da história... Os atores só podem dar a alma pela parte que lhes cabe para que o todo seja uma única pintura, e não a junção tosca de peças desconhecidas. A verdade não pode ser transmitida completa, de graça. Ela precisa ser perseguida e desejada para então se tornar merecida. O tempo é fator determinante.
Minha verdade é que em um segundo eu perdi meu coração. Vaguei maltrapilha e louca por universos sem fim em busca do meu bem mais precioso... Em vão. Me sentei pra descansar com a boca seca e os pés descalços quando vi rubra e aveludada, uma rosa sombreada de negro. Seu pulsar tremia a terra num vibrar constante e nítido. Ao me aproximar, conferi lá no interior da planta o meu próprio coração, a bater forte e vivo. Por um segundo me deliciei com sua música e finalmente pude respirar. Mas em um segundo um novo impasse surgiu, quando me percebi um assassino em potencial: aquela rosa precisava de um coração, tanto quanto eu.
...... Pausa para um terrível gemido de dor e lamento; e um segundo de reflexões vazias.......
Só me resta morar na rosa, concluí. Dividir minhas mágoas, segredos, planos e realizações. Compreender sua beleza, carisma e necessidades; e assim entregar meu coração para ser seu... Um caminho de espinhos me espera, terei de me fazer pequeno e gentil o suficiente para escalar suas pétalas frágeis e admirar seu perfume como eternamente meu. No fim, o coração é um só, assim como os planos, as dores, as crenças e as próprias cores! Mas habita em dois corpos.
Me facina pensar que a verdade em si está em cada despertar, e que não se pode compartilhá-la completamente. Não é como um bolo que em uma fatia se prova o todo. É como no teatro: ao se entregar a um personagem se perde a possibilidade do outro. Apenas o público pode sentir correr nas veias a essência da história... Os atores só podem dar a alma pela parte que lhes cabe para que o todo seja uma única pintura, e não a junção tosca de peças desconhecidas. A verdade não pode ser transmitida completa, de graça. Ela precisa ser perseguida e desejada para então se tornar merecida. O tempo é fator determinante.
Minha verdade é que em um segundo eu perdi meu coração. Vaguei maltrapilha e louca por universos sem fim em busca do meu bem mais precioso... Em vão. Me sentei pra descansar com a boca seca e os pés descalços quando vi rubra e aveludada, uma rosa sombreada de negro. Seu pulsar tremia a terra num vibrar constante e nítido. Ao me aproximar, conferi lá no interior da planta o meu próprio coração, a bater forte e vivo. Por um segundo me deliciei com sua música e finalmente pude respirar. Mas em um segundo um novo impasse surgiu, quando me percebi um assassino em potencial: aquela rosa precisava de um coração, tanto quanto eu.
...... Pausa para um terrível gemido de dor e lamento; e um segundo de reflexões vazias.......
Só me resta morar na rosa, concluí. Dividir minhas mágoas, segredos, planos e realizações. Compreender sua beleza, carisma e necessidades; e assim entregar meu coração para ser seu... Um caminho de espinhos me espera, terei de me fazer pequeno e gentil o suficiente para escalar suas pétalas frágeis e admirar seu perfume como eternamente meu. No fim, o coração é um só, assim como os planos, as dores, as crenças e as próprias cores! Mas habita em dois corpos.
Por isso, hoje minha verdade é outra. Se acontecer de ouvir a frase de início dessa crônica, serei o primeiro a atirar rosas...
Morena - jan/09
Me, Myself and I.
Gotas de chuva no vidro da janela escondem o sol que se põe... Em cada gota posso ver meu reflexo pensativo... vejo um mosaico de mim mesma: milhões de pedacinhos disformes que me mostram inteira.
Poderia nomear cada um deles com os sentimentos de um instante e ainda me faltariam nomes e definições para a confusão de imagens que essas gotinhas formam. Sem formar nada.
Se quero sorrir, me entristeço pela impossibilidade de usar um sorriso emprestado,
Se quero chorar, meus olhos já estão secos, trincados, e também já não me pertencem.
Tive que vendê-los todos quando a instituição do meu ser declarou falência...
O que me resta é ainda sorrir e chorar em uma melodia menor, cantar meus pulmões e espalhar minha alma com meu sangue pelos ouvidos de um público inexistente...
Se sou insegura, frágil e por vezes até ingênua, é porque preciso de uma proteção externa que me envolva e me acolha da chuva e dos maus caminhos da vida.
"Preciso aprender a ser só" e pouco a pouco conhecer meus próprios limites e fraquezas. Aprender que dentro de mim moram dois e que os três devem conviver em paz:
Me, Myself and I.
Morena - jan/09
Poderia nomear cada um deles com os sentimentos de um instante e ainda me faltariam nomes e definições para a confusão de imagens que essas gotinhas formam. Sem formar nada.
Se quero sorrir, me entristeço pela impossibilidade de usar um sorriso emprestado,
Se quero chorar, meus olhos já estão secos, trincados, e também já não me pertencem.
Tive que vendê-los todos quando a instituição do meu ser declarou falência...
O que me resta é ainda sorrir e chorar em uma melodia menor, cantar meus pulmões e espalhar minha alma com meu sangue pelos ouvidos de um público inexistente...
Se sou insegura, frágil e por vezes até ingênua, é porque preciso de uma proteção externa que me envolva e me acolha da chuva e dos maus caminhos da vida.
"Preciso aprender a ser só" e pouco a pouco conhecer meus próprios limites e fraquezas. Aprender que dentro de mim moram dois e que os três devem conviver em paz:
Me, Myself and I.
Morena - jan/09
domingo, 14 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Até o fim do corredor
Abriu a porta e respirou fundo. Como era boa aquela sensação. Seus problemas, se um dia os teve, já não existiam e tudo era felicidade. O final do corredor estava bem a frente, mas seus passos eram curtos. Queria saborear aquele momento. Para que pressa? Só teria de passar por mais algumas portas e chegaria. Repousou as mãos sobre o ventre liso e pensou no bebê que começava a se formar. Já seria algo além de um zigoto?
Continuava sua caminhada desfrutando daquela alegria imensurável e, ao contrário do que se possa imaginar, era uma alegria pesada, assim como a barriga que crescia e crescia... já não podia enxergar os próprios pés.
Já havia caminhado quilômetros e quilômetros e aquilo parecia não ter fim. Assim como a festa que se iniciara em seu peito no instante em que se descobrira grávida. Onde estaria seu bebê? Que saudade já sentia! Nem parecia que a pouco se despediram e já tinha ânsias de vê-la outra vez.
No final do corredor um salão, lindo! Um aquário gigantesco, digno de sua linda filha já adolescente. Que graça o seu rebolado dava àquelas águas! Suas lindas nadadeiras coloriam aquele ambiente como ninguém mais o faria. Ao ver a mãe, subiu a superfície e jorrou litros de água por seu orifício respiratório. A mãe, toda molhada, abriu os braços e sorriu.
No final do corredor um salão, lindo! Um aquário gigantesco, digno de sua linda filha já adolescente. Que graça o seu rebolado dava àquelas águas! Suas lindas nadadeiras coloriam aquele ambiente como ninguém mais o faria. Ao ver a mãe, subiu a superfície e jorrou litros de água por seu orifício respiratório. A mãe, toda molhada, abriu os braços e sorriu.
Morena - set/08 (sonho da Priscila)
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Antigo

Tudo começou a mais de 100 anos atrás.
Mas eu não estava lá para saber. Mesmo assim ele veio me ver.
Sapato, calça com vinco e chapéu. Meu romântico: impossível, intocável.
Mas eu não estava lá para saber. Mesmo assim ele veio me ver.
Sapato, calça com vinco e chapéu. Meu romântico: impossível, intocável.
Olho para ele e sei quem é. Mas de repente não sei mais quem eu mesma sou. Me perco nos elogios, nos cortejos e adoro ser paparicada. Talvez esteja carente, só isso.
Mas ele volta, toca violão e não pára de me olhar. Já nem sei que horas são e, na verdade não importa. Desde que possa me perder no fundo dos seus olhos e nas filosofias de buteco.
Sempre segurando uma cerveja, ele não me leva a sério. Me sinto um investimento nas mãos de um homem ambicioso. Apenas mais um dentre tantos...
Fico presa no meu próprio corpo. Sou menos "certinha" do que gostaria de ser.
Poeta dos meus sonhos, músico das minhas noites e risada dos meus dias.
Não posso mais... Será meu muso! Inspiração dos meus contos, desejo das minhas tardes.
Mas não será meu.
É uma pena.
Mas ele volta, toca violão e não pára de me olhar. Já nem sei que horas são e, na verdade não importa. Desde que possa me perder no fundo dos seus olhos e nas filosofias de buteco.
Sempre segurando uma cerveja, ele não me leva a sério. Me sinto um investimento nas mãos de um homem ambicioso. Apenas mais um dentre tantos...
Fico presa no meu próprio corpo. Sou menos "certinha" do que gostaria de ser.
Poeta dos meus sonhos, músico das minhas noites e risada dos meus dias.
Não posso mais... Será meu muso! Inspiração dos meus contos, desejo das minhas tardes.
Mas não será meu.
É uma pena.
Morena - nov/08
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Mundos
Sofia abriu os olhos e pensou em Raphael.
Tivera um sonho bom, mas não se lembrava exatamente o quê.
Raphael abriu os olhos e pensou em Sofia.
Tivera um pesadelo, mas não se lembrava exatamente o quê.
Sofia era doce, não tinha paciência pra sofrer.
Achava a vida bela, tinha muitos amigos e era simples.
Raphael era bonito, não tinha paciência pra fofoca.
Achava Sofia bela, tinha um coração gigante e era intenso.
Sofia dizia que não podia.
Raphael entendia que não queria.
Sofia explicava. Raphael ouvia.
Sofia chegava. Raphael saía.
Ela não sabia que ele não entendia.
Ele não entendia que ela não sabia.
Sofia dizia que era certo.
Raphael entendia que era perto.
Sofia gostava. Muito.
Raphael amava. Mais ainda.
Um dia, Raphael disse pra sempre.
Sofia só entendeu te amo.
Raphael pediu um filho.
Sofia só entendeu um beijo.
Raphael pensou em casar.
Sofia pensou em ficar.
Raphael sofreu, chorou e amou Sofia.
Sofia sorriu, chamou e alegrou Raphael.
Ele não sabia que ela não entendia.
Ela não entendia que ele não sabia.
E os dois viviam assim.
Raphael e Sofia,
Sofia e Raphael.
Sem nunca entender
Um ao outro ou a si mesmos.
Um dia, Sofia disse a verdade.
Raphael entendeu a metade.
Sofia pediu um tempo.
Raphael entendeu muito tempo.
Sofia pensou em voltar.
Raphael pensou em sumir.
Sofia parou, lembrou e esperou Raphael.
Raphael respirou, lamentou e esqueceu Sofia.
Sofia chorou. Raphael sorriu.
Sofia entendeu nada.
Raphael nada entendeu.
"Porque vemos o mundo e o outro,
Não como eles são,
Mas como nós somos".
Morena- set/08
Tivera um sonho bom, mas não se lembrava exatamente o quê.
Raphael abriu os olhos e pensou em Sofia.
Tivera um pesadelo, mas não se lembrava exatamente o quê.
Sofia era doce, não tinha paciência pra sofrer.
Achava a vida bela, tinha muitos amigos e era simples.
Raphael era bonito, não tinha paciência pra fofoca.
Achava Sofia bela, tinha um coração gigante e era intenso.
Sofia dizia que não podia.
Raphael entendia que não queria.
Sofia explicava. Raphael ouvia.
Sofia chegava. Raphael saía.
Ela não sabia que ele não entendia.
Ele não entendia que ela não sabia.

Sofia dizia que era certo.
Raphael entendia que era perto.
Sofia gostava. Muito.
Raphael amava. Mais ainda.
Um dia, Raphael disse pra sempre.
Sofia só entendeu te amo.
Raphael pediu um filho.
Sofia só entendeu um beijo.
Raphael pensou em casar.
Sofia pensou em ficar.
Raphael sofreu, chorou e amou Sofia.
Sofia sorriu, chamou e alegrou Raphael.
Ele não sabia que ela não entendia.
Ela não entendia que ele não sabia.
E os dois viviam assim.
Raphael e Sofia,
Sofia e Raphael.
Sem nunca entender
Um ao outro ou a si mesmos.
Um dia, Sofia disse a verdade.
Raphael entendeu a metade.
Sofia pediu um tempo.
Raphael entendeu muito tempo.
Sofia pensou em voltar.
Raphael pensou em sumir.
Sofia parou, lembrou e esperou Raphael.
Raphael respirou, lamentou e esqueceu Sofia.
Sofia chorou. Raphael sorriu.
Sofia entendeu nada.
Raphael nada entendeu.
"Porque vemos o mundo e o outro,
Não como eles são,
Mas como nós somos".
Morena- set/08
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