"O tempo é o melhor remédio"
Mas e quando o tempo é a doença? Quem há de ser o remédio?
Porque devagar não se vai longe, se chega tarde...
Morena dez/08
domingo, 14 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Até o fim do corredor
Abriu a porta e respirou fundo. Como era boa aquela sensação. Seus problemas, se um dia os teve, já não existiam e tudo era felicidade. O final do corredor estava bem a frente, mas seus passos eram curtos. Queria saborear aquele momento. Para que pressa? Só teria de passar por mais algumas portas e chegaria. Repousou as mãos sobre o ventre liso e pensou no bebê que começava a se formar. Já seria algo além de um zigoto?
Continuava sua caminhada desfrutando daquela alegria imensurável e, ao contrário do que se possa imaginar, era uma alegria pesada, assim como a barriga que crescia e crescia... já não podia enxergar os próprios pés.
Já havia caminhado quilômetros e quilômetros e aquilo parecia não ter fim. Assim como a festa que se iniciara em seu peito no instante em que se descobrira grávida. Onde estaria seu bebê? Que saudade já sentia! Nem parecia que a pouco se despediram e já tinha ânsias de vê-la outra vez.
No final do corredor um salão, lindo! Um aquário gigantesco, digno de sua linda filha já adolescente. Que graça o seu rebolado dava àquelas águas! Suas lindas nadadeiras coloriam aquele ambiente como ninguém mais o faria. Ao ver a mãe, subiu a superfície e jorrou litros de água por seu orifício respiratório. A mãe, toda molhada, abriu os braços e sorriu.
No final do corredor um salão, lindo! Um aquário gigantesco, digno de sua linda filha já adolescente. Que graça o seu rebolado dava àquelas águas! Suas lindas nadadeiras coloriam aquele ambiente como ninguém mais o faria. Ao ver a mãe, subiu a superfície e jorrou litros de água por seu orifício respiratório. A mãe, toda molhada, abriu os braços e sorriu.
Morena - set/08 (sonho da Priscila)
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Antigo

Tudo começou a mais de 100 anos atrás.
Mas eu não estava lá para saber. Mesmo assim ele veio me ver.
Sapato, calça com vinco e chapéu. Meu romântico: impossível, intocável.
Mas eu não estava lá para saber. Mesmo assim ele veio me ver.
Sapato, calça com vinco e chapéu. Meu romântico: impossível, intocável.
Olho para ele e sei quem é. Mas de repente não sei mais quem eu mesma sou. Me perco nos elogios, nos cortejos e adoro ser paparicada. Talvez esteja carente, só isso.
Mas ele volta, toca violão e não pára de me olhar. Já nem sei que horas são e, na verdade não importa. Desde que possa me perder no fundo dos seus olhos e nas filosofias de buteco.
Sempre segurando uma cerveja, ele não me leva a sério. Me sinto um investimento nas mãos de um homem ambicioso. Apenas mais um dentre tantos...
Fico presa no meu próprio corpo. Sou menos "certinha" do que gostaria de ser.
Poeta dos meus sonhos, músico das minhas noites e risada dos meus dias.
Não posso mais... Será meu muso! Inspiração dos meus contos, desejo das minhas tardes.
Mas não será meu.
É uma pena.
Mas ele volta, toca violão e não pára de me olhar. Já nem sei que horas são e, na verdade não importa. Desde que possa me perder no fundo dos seus olhos e nas filosofias de buteco.
Sempre segurando uma cerveja, ele não me leva a sério. Me sinto um investimento nas mãos de um homem ambicioso. Apenas mais um dentre tantos...
Fico presa no meu próprio corpo. Sou menos "certinha" do que gostaria de ser.
Poeta dos meus sonhos, músico das minhas noites e risada dos meus dias.
Não posso mais... Será meu muso! Inspiração dos meus contos, desejo das minhas tardes.
Mas não será meu.
É uma pena.
Morena - nov/08
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Mundos
Sofia abriu os olhos e pensou em Raphael.
Tivera um sonho bom, mas não se lembrava exatamente o quê.
Raphael abriu os olhos e pensou em Sofia.
Tivera um pesadelo, mas não se lembrava exatamente o quê.
Sofia era doce, não tinha paciência pra sofrer.
Achava a vida bela, tinha muitos amigos e era simples.
Raphael era bonito, não tinha paciência pra fofoca.
Achava Sofia bela, tinha um coração gigante e era intenso.
Sofia dizia que não podia.
Raphael entendia que não queria.
Sofia explicava. Raphael ouvia.
Sofia chegava. Raphael saía.
Ela não sabia que ele não entendia.
Ele não entendia que ela não sabia.
Sofia dizia que era certo.
Raphael entendia que era perto.
Sofia gostava. Muito.
Raphael amava. Mais ainda.
Um dia, Raphael disse pra sempre.
Sofia só entendeu te amo.
Raphael pediu um filho.
Sofia só entendeu um beijo.
Raphael pensou em casar.
Sofia pensou em ficar.
Raphael sofreu, chorou e amou Sofia.
Sofia sorriu, chamou e alegrou Raphael.
Ele não sabia que ela não entendia.
Ela não entendia que ele não sabia.
E os dois viviam assim.
Raphael e Sofia,
Sofia e Raphael.
Sem nunca entender
Um ao outro ou a si mesmos.
Um dia, Sofia disse a verdade.
Raphael entendeu a metade.
Sofia pediu um tempo.
Raphael entendeu muito tempo.
Sofia pensou em voltar.
Raphael pensou em sumir.
Sofia parou, lembrou e esperou Raphael.
Raphael respirou, lamentou e esqueceu Sofia.
Sofia chorou. Raphael sorriu.
Sofia entendeu nada.
Raphael nada entendeu.
"Porque vemos o mundo e o outro,
Não como eles são,
Mas como nós somos".
Morena- set/08
Tivera um sonho bom, mas não se lembrava exatamente o quê.
Raphael abriu os olhos e pensou em Sofia.
Tivera um pesadelo, mas não se lembrava exatamente o quê.
Sofia era doce, não tinha paciência pra sofrer.
Achava a vida bela, tinha muitos amigos e era simples.
Raphael era bonito, não tinha paciência pra fofoca.
Achava Sofia bela, tinha um coração gigante e era intenso.
Sofia dizia que não podia.
Raphael entendia que não queria.
Sofia explicava. Raphael ouvia.
Sofia chegava. Raphael saía.
Ela não sabia que ele não entendia.
Ele não entendia que ela não sabia.

Sofia dizia que era certo.
Raphael entendia que era perto.
Sofia gostava. Muito.
Raphael amava. Mais ainda.
Um dia, Raphael disse pra sempre.
Sofia só entendeu te amo.
Raphael pediu um filho.
Sofia só entendeu um beijo.
Raphael pensou em casar.
Sofia pensou em ficar.
Raphael sofreu, chorou e amou Sofia.
Sofia sorriu, chamou e alegrou Raphael.
Ele não sabia que ela não entendia.
Ela não entendia que ele não sabia.
E os dois viviam assim.
Raphael e Sofia,
Sofia e Raphael.
Sem nunca entender
Um ao outro ou a si mesmos.
Um dia, Sofia disse a verdade.
Raphael entendeu a metade.
Sofia pediu um tempo.
Raphael entendeu muito tempo.
Sofia pensou em voltar.
Raphael pensou em sumir.
Sofia parou, lembrou e esperou Raphael.
Raphael respirou, lamentou e esqueceu Sofia.
Sofia chorou. Raphael sorriu.
Sofia entendeu nada.
Raphael nada entendeu.
"Porque vemos o mundo e o outro,
Não como eles são,
Mas como nós somos".
Morena- set/08
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Feira
Peixe, farinha, mamão, cheiro verde.
Música, poesia, lágrima, desenho.
- Olha o peixe! Castanha, farinha, galinha e mamão!
Olha a pimenta! Cheiro verde e quiabo!
Música, filosofia, poesia, magia, lágrima, brisa, desenho e desejo.
- Olha o peixe! Música, castanha e filosofia!
Olha a farinha! Poesia, galinha, magia e mamão!
Escolha freguesa! Tem lágrima fresquinha!
Pimenta e brisa!
Cheiro verde, desenho,desejo e quiabo!
Escolha no monte do artista! Ou da dona de casa!
Porque aqui meu senhor, tudo é da mais alta qualidade!
Chegue mais perto que para o rapaz eu vou oferecer a nossa melhor iguaria!
Experimente!
Leve para a família o sabor que crês que agradaria!
Te garanto que vai gostar dessa maravilha! Chamada vida.
Morena - set/08
Música, poesia, lágrima, desenho.
- Olha o peixe! Castanha, farinha, galinha e mamão!
Olha a pimenta! Cheiro verde e quiabo!
Música, filosofia, poesia, magia, lágrima, brisa, desenho e desejo.
- Olha o peixe! Música, castanha e filosofia!
Olha a farinha! Poesia, galinha, magia e mamão!
Escolha freguesa! Tem lágrima fresquinha!
Pimenta e brisa!
Cheiro verde, desenho,desejo e quiabo!
Escolha no monte do artista! Ou da dona de casa!
Porque aqui meu senhor, tudo é da mais alta qualidade!
Chegue mais perto que para o rapaz eu vou oferecer a nossa melhor iguaria!
Experimente!
Leve para a família o sabor que crês que agradaria!
Te garanto que vai gostar dessa maravilha! Chamada vida.
Morena - set/08
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Micro conto
Era uma manhã de primavera, uma menina caminhava no parque quando, de repente, apareceu uma cutia:
- Bom dia!
- E desde quando cutia dá bom dia?
- Desde que cutia começou a correr de noite e de dia debaixo da cama da sua tia! Daí nos dias de folga a gente até tem ânimo para dar bom dia né?! Bom dia!
Morena - set/08
- Bom dia!
- E desde quando cutia dá bom dia?
- Desde que cutia começou a correr de noite e de dia debaixo da cama da sua tia! Daí nos dias de folga a gente até tem ânimo para dar bom dia né?! Bom dia!
Morena - set/08
Lobo, menino e pirulito
- E lobo gosta de pirulito?
- Ué, e quem não gosta?
Aquele retrato dela e do irmão que ficava na parede do quarto sempre encantara Marina: um lobo, um menino, uma menina e um pirulito.
- Duas crianças, montadas nas costas de um lobo, seguram um pirulito na ponta de uma vara para fazer com que o lobo corra na neve.
Joaquim acordou todo suado. Que sonho estranho! Olhou o quarto em volta e tudo parecia normal. Em silêncio, entrou no quarto de Marina e olhou para a parede:
- Um lobo, montado nas costas de um pirulito, segura duas crianças na ponta de uma vara para fazer com que o pirulito corra na neve. - pensou em voz alta - Pirulitos adoram crianças...
- O que você está fazendo no meu quarto?
- Desculpe, é que tive um sonho muito estranho em que os lobos gostavam de comer pirulitos.
- Ai! Que bobagem! Você quer me assustar não é? Vindo no meu quarto assim no meio da noite para me contar de pesadelo horrível desses! Credo! Isso é tudo bobagem... não é?...
- Claro. Desculpe te acordar, volta para a cama tá?
Marina concorda mas antes de terminar de pousar seus açúcares coloridos no travesseiro e de cobrir com o lençol seu comprido palito, Joaquim reabre uma fresta da porta:
- Marina?
- Sim?
- Por que você gosta tanto desse quadro?
- Eu acho engraçado! Tudo bem que pirulitos adorem crianças, mas eu nunca conheci um tão burro assim né?! Correndo atrás de dois meninos amarrados na ponta do palito... hunf! Somos muito mais espertos que isso!
- É, eu também acho engraçado... parece que os lobos são bem mais inteligentes né?!
- Xi... Não viaja tá? Vai dormir, que o seu mal é sono.
Joaquim obedeceu. Voltou para o quarto, deu três voltas em torno do tapete, apoiou as patas dianteiras no chão num gostoso espreguiço, e deitou antes de comer um menino e... um pirulito.
Morena - set/08

- Ué, e quem não gosta?
Aquele retrato dela e do irmão que ficava na parede do quarto sempre encantara Marina: um lobo, um menino, uma menina e um pirulito.
- Duas crianças, montadas nas costas de um lobo, seguram um pirulito na ponta de uma vara para fazer com que o lobo corra na neve.
Joaquim acordou todo suado. Que sonho estranho! Olhou o quarto em volta e tudo parecia normal. Em silêncio, entrou no quarto de Marina e olhou para a parede:
- Um lobo, montado nas costas de um pirulito, segura duas crianças na ponta de uma vara para fazer com que o pirulito corra na neve. - pensou em voz alta - Pirulitos adoram crianças...
- O que você está fazendo no meu quarto?
- Desculpe, é que tive um sonho muito estranho em que os lobos gostavam de comer pirulitos.
- Ai! Que bobagem! Você quer me assustar não é? Vindo no meu quarto assim no meio da noite para me contar de pesadelo horrível desses! Credo! Isso é tudo bobagem... não é?...
- Claro. Desculpe te acordar, volta para a cama tá?
Marina concorda mas antes de terminar de pousar seus açúcares coloridos no travesseiro e de cobrir com o lençol seu comprido palito, Joaquim reabre uma fresta da porta:
- Marina?
- Sim?
- Por que você gosta tanto desse quadro?
- Eu acho engraçado! Tudo bem que pirulitos adorem crianças, mas eu nunca conheci um tão burro assim né?! Correndo atrás de dois meninos amarrados na ponta do palito... hunf! Somos muito mais espertos que isso!
- É, eu também acho engraçado... parece que os lobos são bem mais inteligentes né?!
- Xi... Não viaja tá? Vai dormir, que o seu mal é sono.
Joaquim obedeceu. Voltou para o quarto, deu três voltas em torno do tapete, apoiou as patas dianteiras no chão num gostoso espreguiço, e deitou antes de comer um menino e... um pirulito.
Morena - set/08
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