sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ela odeia ficar doente.

Ela odeia ficar doente. Mesmo assim finge que não está e vai trabalhar. Talvez só para vê-lo.

Ela sabe que ele também está doente, mas não teve vontade de ligar. Olhar para ele, mostrar-lhe uma música e não ter que pagar depois as horas perdidas parece suficientemente atraente para levantar da cama e tomar um banho frio.

Ele chega atrasado, mas está lá, lindo como sempre, o cabelo liso partido de lado e espetado que atrai insistentemente os dedos dela. Como se ainda pudesse lembrar da reação em cadeia que aquele toque causava...

Ela sorri ao olhar para ele e não encontrar o doente, mas apenas ele. Ele foge de seus olhos com a face corada, como se ela não pudesse perceber. Ela ainda o vê se encher de remédios mas sabe da pequena eficácia que terão. Pensa em intervir e chega até a fazer um comentário, mas lembra a tempo que ele já não é sua jurisdição.

Como eu disse, ela odeia ficar doente. Mas dessa vez não tem opção. Fica em casa e assiste a uma comédia ridícula, do tipo romântica, onde ele é lindo, ela também, eles brigam o tempo todo mas se entendem no final e vivem felizes para sempre. Ela lembra porque não gosta de televisão enquanto uma lágrima solitária brilha em seu rosto. Por que ele não é o príncipe encantado? Ela votou nele, e ele se fez candidato...

Se enrolou nas cobertas e sentiu saudades. Tanta que quis voltar, se pudesse viveria tudo de novo só para sentir o cheiro dele, pra sentir suas unhas compridas a acariciar seu rosto, seus olhinhos brilhando quando a via de saia ou para saber tudo o que ele sentia por ela. Para ouvi-lo assobiar canções e gaguejar quando ela lhe dizia não. Não voltaria para fazer nada diferente, para se desculpar ou aproveitar melhor porque se arrepende ou algo assim. Voltaria apenas para viver de novo e apertaria o play naquele dia que se esbarraram no corredor pela primeira vez.

Viveria de novo e de novo e de novo como a um filme favorito. Relembraria com as pontas dos dedos de cada traço do seu rosto e sentiria seu coração vivo dentro do peito.

Não, ela não o quer de novo. Não depois do que ele fez. De quem ele fez. Mas não pode evitar que mais algumas lágrimas venham fazer companhia àquela primeira de minutos atrás.

Ela troca de canal a procura de violência, crime, morte e muito sangue. Nem sei se é possível explicar, mas pela primeira vez em dias ela pára de tossir. E de lembrar.


Morena - set/09

2 comentários:

Bárbara Ribeiro disse...

Ui! Precisamos conversar. rs!
Vc viveu o que deveria ser vivido. Nem mais, nem menos. Lembre com carinho apenas. ;)

Naiara Morena disse...

kkkkkkkkk. N se pode confundir os textos com as histórias. Mt coisa é ficção só para aumentar o drama q eu me recuso a colocar nos meus passos, mas que sobram entre as vírgulas, os pontos, as rimas e os comentários!
bjim!
Ah! Depois me fala do seu curso como tá!