quinta-feira, 8 de abril de 2010

Garganta


Mais um dia de molho (e dessa vez sem trapacear como nos dias anteriores), começo a pensar sobre essas minhas crises de garganta e o que um grande amigo terapeuta que me conhece a mais de uma década (Uau! Nunca tinha feito a conta assim...) vive me dizendo: raiva reprimida se mostra na garganta!

Daí fico pensando se tenho mesmo toda essa “raiva reprimida” e se tenho, essa raiva é do que?! E o que fazer pra deixar de reprimir? Porque escolhi a profissão errada pra viver com essas pálas né?! Se como professora ainda posso, por vez ou outra, recorrer a alguns gestos; que tal como cantora? O que eu faço?

Resolvo então fazer um levantamento dos meus casos “mal resolvidos” e lembro da raiva que passei na Escola de Música e não alucinei do jeito que queria...

Depois lembro do tempo que minha mãe viajou e eu decidi deixar de ser mimada e ficar sem carro mesmo. Sem chorar, sem pegar o do meu pai nem pedir carona pra minha tia. Bah! Malditos políticos! Eu queria que o Arruda ficasse andando de baú por uma semana todo dia pra ele ver o diabo que é pra ir da Asa Norte para o Lago Sul. Uma hora e meia!!! Eu faço em 15 min de carro! Não achava ruim quando era adolescente, mas como o que é bom a gente acostuma rápido né?! O que me consola é que por enquanto ele não está indo para o Lago nem de jeito nenhum...

Trânsito... É, esses dias fui na casa de um ex (namorado, atual GRANDE amigo, porque quando dois não quer os dois não brigam), só pra ver a moto dele. ENCHI o saco de trânsito! Engarrafamento ridículo para Águas Claras toda segunda, eixo monumental LOTADO todo dia e eu bufando de calor e de raiva quando finalmente chego no trampo. Tem alguns colegas que até já me sacaram: espera passar a primeira aula e ela cantar um monte pra ficar pianinho. Daí dou bom dia até pra formiguinha que passa na minha porta...

Revirando mais o fundo do baú lembro de umas bombas e do quanto eu sempre acho que só de entregar e saber que as cartas estão na mesa (literalmente), vou poder voltar a respirar como a mais de ano (já tem isso tudo?) não consigo. Mas e aí? Acabo com a raça do cara, ele me odeia pra sempre e não sei se resolve meu problema... Poucas pessoas entendem a diferença entre não GOSTAR e não SUPORTAR mentiras. Mas quem sou eu mesmo pra limpar (ou espalhar mais ainda) a merda dos outros? E quem nunca mentiu que atire a primeira pedra...

Fora quando não respondem meus e-mails, putz! Pense numa raiva? E eu sou meio orkuteira mesmo, entro na net quase todo dia e nesse mundo virtual em ascendência espero o mesmo de todo mundo. Marco ensaio, passo repertório, peço informações, dou informações, resolvo minha vida e aperto “ENVIAR”. Daí passa três, quatro dias... às vezes uma semana e nada. Se eu pudesse demitia metade das pessoas que não respondem as minhas perguntas e devolvia a carteirinha de amigo da outra metade. Mas daí vem o anjinho no meu ombro e diz que não sei o que está acontecendo com a pessoa, com a internet da pessoa e engulo a raiva. Mas só pra ela triplicar quando encontro o pessoal na rua e a primeira coisa que eles falam: “Então! Li seu e-mail! Não respondi porque...” daí nunca responde. Podia mandar pelo menos “tô correndo! Depois eu respondo!” Se por nada mais, por consideração né?!

E a minha maldição? TODOS os meus alunos (os pobrezinhos que estudam no Galois, na Escola das Nações, INEI, os que têm carro do ano e os que foram passar o carnaval na Europa), nenhum deles tem a impressora funcionando e, na verdade, nunca ouviram falar em papelaria, lan house, trabalho do pai e até mesmo gráfica pra imprimir as cifras das músicas que eles mesmos vão cantar...

E sem poder falar e muito menos cantar, como desestresso? E segunda no trabalho, o batera!!! Podia ser o flautista, o violonista, até o pianista que eu ia ficar de boa, mas justo o batera vem me dizer que está achando lindo eu falar baixinho... E o cantor que fica sacaneando a minha comunicação em gestos... mal sabe ele que também conheço uns gestos bem feios! Salvo pelas crianças presentes...

E eu pensando que a semana ia ser um inferno tendo que achar um clínico pra me dar um atestado, depois agendar um otorrino (porque meu convênio, vou te contar...) pra conferir minhas pregas vocais e ainda ter que xerocar atestado, abrir conta no banco, entregar na escola e resolver horários de semana da voz... Sem FALAR!!! Hum... até onde eu sei, pouquíssimas pessoas conhecem LIBRAS e eu não sou fluente. Nisso já antecipei a raiva que ia passar né?! Mas para a minha surpresa as pessoas foram tão gentis! De primeira se aproximavam para entender o que eu falava baixinho, depois sorriam imaginando o que aquela menina meiga e tímida precisaria. E tudo se resolveu tão rapidinho! Tanta atenção e gentileza! E eu que adoro falar alto! Eu, que falo pelos cotovelos, joelhos, e até pelos olhos se deixar, e que sofro tentando falar menos para não entediar as pessoas; passei uma semana até razoável nessa minha quase mudez (se não fosse não conseguir cantar e ter q resolver tudo por e-mail ou mensagem no celular que as pessoas não respondem!!!). Mesmo assim, desde que aprendi que a música está dentro de mim, consigo cantar horrores na minha própria cabeça. Às vezes trapaceio e canto baixinho...

Depois fiquei pensando que esse negócio de falar baixo pode ser uma tática de aproximação hein? Estou mesmo precisando de umas novas... Será batera, que você vai me ver saudável e falando baixinho? O último que disse que ia ligar não ligou... e eu até dei o número certo! Isso nunca tinha acontecido, acredite quem puder... Ah! Taí mais uma coisa que me deixa doida: se não vai fazer, não fala que vai! Sempre acabo eu fazendo tudo sozinha...

É terapeuta, acho que tenho mesmo muita raiva reprimida... Mas o que eu faço pra soltar a raiva sem ter que amarrar os pés dos muleques no ventilador e ligar pra ver quem vomita primeiro? E, principalmente, mantendo a coerência com a mensagem de amor, gratidão e perdão que eu escrevi e mandei para os amigos na páscoa a menos de uma semana atrás? (pelo menos pra não dar na cara que eu sou doida né?)

E aí? Como ficamos?

Morena - abr/10

Um comentário:

Domingues "de Brasília" disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Pode deixar, vou responder os emails.